Uma nova lei aprovada no Brasil, criada para fortalecer o combate ao crime organizado, permitirá às autoridades apreender ativos digitais de criminosos e potencialmente utilizá-los em benefício público.
A “Lei Antigangues” foi sancionada pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira, criando penalidades mais severas para líderes criminosos e fornecendo às autoridades meios de “estrangulamento financeiro, logístico e material” das organizações criminosas.
“A lei representa um avanço no combate ao crime organizado, ao incorporar mecanismos de estrangulamento financeiro e fortalecer a capacidade do Estado de responder à crescente complexidade dessas estruturas criminosas”, afirmou Wellington Lima, ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, em comunicado.
“O foco é atingir os níveis mais altos, com instrumentos mais eficazes e ação coordenada”, acrescentou.
Embora o projeto de lei não mencione especificamente quaisquer ativos de criptomoedas pelo nome, ele permite que juízes ordenem medidas cautelares como “apreensão, arresto, bloqueio ou congelamento de bens móveis e imóveis, direitos e ativos, incluindo ativos digitais ou virtuais” em casos onde haja evidências suficientes de um crime grave, conforme definido na lei.
Em certos casos, o juiz também poderá autorizar a venda antecipada dos ativos, com os lucros destinados a fundos de segurança pública.
A custódia dos ativos apreendidos com base em medidas cautelares ficará a cargo das autoridades públicas, exceto nos casos em que um juiz determine “a impossibilidade material ou inadequação técnica da custódia por parte das autoridades públicas”.
Em outras jurisdições, as autoridades têm tido dificuldades em manter a custódia de ativos de criptomoedas coletados em investigações. Por exemplo, as forças de segurança na Coreia do Sul não seguiram as diretrizes de custódia de criptomoedas e perderam acesso a US$ 1,4 milhão em Bitcoin.
Mais tarde, representantes do Serviço Nacional de Impostos da Coreia do Sul postaram fotos de frases-semente, as frases de 12 palavras que desbloqueiam a chave privada de uma carteira de criptomoedas, permitindo que um indivíduo desconhecido capturasse tokens de criptomoedas no valor de US$ 4,8 milhões pelo valor facial—antes de devolvê-los.
A nova lei aprovada no Brasil foi enviada ao Congresso em novembro, enquanto o governo e o banco central do país apresentaram propostas para reprimir o crime e o uso ilegal de Bitcoin ou stablecoins. O país também reprimiu uma operação ilegal de mineração de Bitcoin em setembro.