[Análise de Mercado] Bolha de inteligência artificial · Crédito privado · Choque nos preços do petróleo… Três bombas-relógio a tocar ao mesmo tempo

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A bolsa de valores é muito estranha. A confiança do consumidor está em baixa, o mercado de crédito privado deteriora-se, os conflitos no Médio Oriente continuam, a rentabilidade dos centros de dados de IA é uma incógnita, mas o mercado ainda não colapsou. Sempre que parece que há pressão de venda, ocorre uma recuperação de short squeeze em algum lugar, repetidamente. Este padrão tem persistido há 17 anos, desde o final de 2009.

Algumas opiniões dizem que isso não é por acaso. O mercado de ações atual já não reflete a precificação do fluxo de caixa futuro. A combinação de grandes fundos passivos com assimetria de informação consolidou-se numa estrutura que mantém artificialmente o impulso de alta. Essa é a razão pela qual as estratégias de short-selling têm falhado repetidamente nos últimos 17 anos.

Bomba-relógio 1 — A sombra do mercado de crédito privado

Após a crise financeira de 2008, os ativos de risco foram transferidos dos bancos para gestoras de ativos como Blackstone, KKR, Blue Owl, entre outras. À superfície, parece que o risco saiu do sistema bancário, mas na realidade não. Atualmente, 17% dos empréstimos bancários vão para essas gestoras. Há um intermediário, mas o risco permanece a circular com o mesmo fluxo de fundos.

A Federal Housing Finance Agency (FHFA) tem um papel crucial. Criada inicialmente para comprar hipotecas residenciais, desde 1999 expandiu-se para empréstimos a PME e agrícolas. Na prática, tornou-se um canal oculto de financiamento do mercado de crédito privado. O maior problema dos fundos de crédito privado é a ausência de um preço de mercado. A avaliação pode ser subjetiva e, quando os problemas aparecem, muitas vezes já não há como reverter. Alguns fundos de crédito privado já começaram a limitar resgates, indicando que o problema está a fermentar. Há interpretações de que as gestoras estão a ganhar tempo, limpando posições discretamente.

Alertas indicam que, enquanto a FHFA continuar a aceitar créditos privados como garantia, o colapso total poderá ser adiado. Mas, se acontecer, todo o mercado imobiliário será abalado, podendo provocar uma queda acentuada nos preços das casas.

Bomba-relógio 2 — Os limites físicos da bolha de IA

Por que a Meta continua a investir em centros de dados, mesmo cortando 20% dos funcionários? É por acreditar que será uma vencedora, ou porque, se parar de investir, a avaliação vai desabar?

Algumas opiniões apontam que há limites físicos para os centros de dados de IA. No Texas, está a ser construído o gigantesco parque de centros de dados “Porta Estelar”, que requer 10 GW de energia — o equivalente a 10 centrais nucleares — e precisa garantir esse fornecimento nos próximos dois anos, o que é praticamente impossível na prática.

A estrutura de lucros também é problemática. Ainda não há receitas que justifiquem os enormes investimentos. As empresas MAG-7 estão a sustentar a bolha de IA com o seu fluxo de caixa operacional. Mas, quando esse fluxo acabar ou não houver mais espaço para reestruturações, o jogo termina.

A Nvidia está no auge. Esta empresa avaliada em 4,5 trilhões de dólares é comparada a um avião que, se perder a velocidade mínima, cai. Como Ícaro na mitologia grega, voar alto demais tem um preço fatal. Se a Nvidia colapsar, o S&P 500 e o Nasdaq sofrerão impacto. Com as principais ações tecnológicas a apostar fortemente na IA, a quebra da bolha de IA significará uma queda do mercado de ações.

Além disso, não se pode ignorar o risco de que, com a demanda a evaporar, os chips e memórias da Nvidia, acumulados nos armazéns, possam inundar o mercado.

Bomba-relógio 3 — O paradoxo do preço do petróleo e do consumo

O aumento do preço do petróleo provoca inflação ou tem efeito semelhante ao aumento de taxas de juro? Uma interpretação é que o segundo. Preços elevados de petróleo reduzem o poder de compra dos consumidores, o que diminui a procura.

O problema é que, hoje, os consumidores não recebem dinheiro do governo como em 2022. Na altura, gastos fiscais massivos, incluindo apoio a imigração, criaram demanda na economia. Agora, o cenário é oposto. Com o choque nos preços do petróleo e as altas taxas de juro a pressionar as famílias, há opiniões de que o foco do mercado deve mudar de inflação para deflação. Isso baseia-se na dificuldade crescente das pessoas em pagar por alimentos, seguros, hipotecas e impostos sobre propriedades.

O Federal Reserve deveria estar a reduzir as taxas de juro, mas justifica a manutenção com a inflação causada pelo subida do petróleo. Este é o pano de fundo para as críticas ao banco central, que parece estar a assistir passivamente à economia a queimar.

Crise acumulada — O cruzamento de três fatores desencadeantes

O sistema ainda não colapsou imediatamente porque cada problema ainda não atingiu o ponto crítico, e os mecanismos de amortecimento do governo e do mercado continuam a funcionar. Ainda não ocorreu uma contaminação total, como em 2008 ou no Y2K.

Porém, há avisos de que, se as três bombas-relógio se reunirem até ao final do ano, a situação será completamente diferente. Especialmente na Europa e na Ásia, que, ao contrário dos EUA, têm recursos energéticos escassos, tornando-se mais vulneráveis ao impacto do petróleo. Previsões indicam que a Europa Ocidental, especialmente o Reino Unido, França e Alemanha, poderá sofrer graves choques económicos e financeiros.

Os EUA estão relativamente melhor. Possuem auto-suficiência energética e uma nova fase de reindustrialização, ainda em início, já começou a surgir. Mas ainda é cedo para ficar descansado. Os fundos indexados e passivos, ligados ao mercado, não terão saída na crise. Todos possuem direta ou indiretamente ações da Nvidia e da Microsoft, e as forças de venda a descoberto praticamente desapareceram do mercado. Quando a queda começar, não haverá quem pise no freio. Há avisos de que os fundos de índice podem tornar-se armadilhas sem saída, como ratos presos na ratoeira na crise.

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