O que é uma grande queda — uma análise do colapso do mercado mundial no final de 2025

Em meados de novembro de 2025, num dia que ficou conhecido como a Black Friday, os mercados financeiros mundiais caíram de forma generalizada. As ações nos EUA despencaram rapidamente, as ações de Hong Kong e A-shares também foram vendidas simultaneamente, o Bitcoin chegou a cair abaixo de 86.000 dólares, e até mesmo o ouro, considerado refúgio, não escapou da queda. Todos os ativos de risco foram pressionados pela mesma força, e esta grande queda não foi uma crise de uma classe de ativos específica, mas sim um fenômeno de ressonância sistémica que se propagou por todo o mercado global. Então, o que realmente aconteceu nesta queda inesperada?

A Visão Completa da Queda Sistémica — Venda Coletiva de Ativos de Risco

Após a “Segunda-Feira Negra”, as ações nos EUA voltaram a registrar uma forte queda. O índice Nasdaq 100 caiu quase 5% desde a máxima do dia, fechando com uma queda de 2,4%. Desde a alta de 29 de outubro, a queda chegou a 7,9%. As ações da Nvidia, que inicialmente subiram mais de 5%, também viraram para a baixa, e em uma única noite, o mercado perdeu 2 trilhões de dólares.

Do outro lado do oceano, as ações de Hong Kong e A-shares também não escaparam. O índice Hang Seng caiu 2,3%, e o índice Composto de Xangai caiu abaixo de 3.900 pontos, com uma queda próxima de 2%. O mercado de criptomoedas foi o mais afetado. O Bitcoin caiu abaixo de 86.000 dólares, o Ethereum abaixo de 2.800 dólares, e mais de 245.000 pessoas foram forçadas a realizar perdas de 930 milhões de dólares em um período de 24 horas.

Desde a alta de 126.000 dólares em outubro, o Bitcoin caiu, perdendo toda a sua valorização desde 2025, e está 9% abaixo do preço do início do ano. O medo se espalhou pelo mercado, e o que agravou ainda mais a preocupação foi que até mesmo o ouro, considerado um refúgio, não resistiu e caiu 0,5%, permanecendo em torno de 4.000 dólares por onça.

Esta grande queda não foi uma simples correção técnica, mas sim o resultado de uma pressão complexa que atuou simultaneamente sobre todos os ativos de risco.

A Mudança de Expectativa do Federal Reserve — Queda Rápida na Expectativa de Corte de Juros

O primeiro fator a ser destacado foi a mudança abrupta na postura do Federal Reserve (Fed). Nos últimos dois meses, o mercado vinha alimentando a expectativa de um corte de juros em dezembro, mas vários membros do Fed, de forma incomum, adotaram uma postura hawkish. Como a inflação não diminuiu rapidamente e o mercado de trabalho permaneceu forte, declarações de que o Fed “não descartava um aperto adicional” trouxeram uma dura realidade ao mercado.

O mercado interpretou essa mensagem assim: “Corte em dezembro? Isso é um sonho distante.”

Os dados do “FRB Watch” do CME ilustram bem essa mudança de sentimento. A probabilidade de corte de juros, que há um mês era de 93,7%, caiu para apenas 42,9% em poucas semanas. Com essa rápida perda de esperança, as ações nos EUA e o mercado de criptomoedas passaram de otimismo a uma situação crítica em questão de horas.

Nove Fatores de Queda Apontados pelo Goldman Sachs — Fragilidade da Estrutura do Mercado

Após a destruição da expectativa de corte de juros pelo Fed, o que mais chamou atenção foi a Nvidia. A empresa anunciou resultados do terceiro trimestre acima do esperado, o que deveria impulsionar as ações de tecnologia, mas essa força durou pouco, e logo a ação virou para a baixa, levando a uma perda de 2 trilhões de dólares em todo o mercado em uma única noite.

O parceiro do Goldman Sachs, John Flood, afirmou em relatório para clientes que “uma única causa não explica essa reversão tão intensa”, apontando que fatores múltiplos contribuíram para a grande queda. A equipe de trading do Goldman Sachs identificou nove fatores que impulsionaram a queda das ações nos EUA:

1. Esgotamento das boas notícias da Nvidia — Apesar de o resultado do Q3 ter superado as expectativas, o Goldman comentou que “boas notícias reais que não sejam recompensadas são um mau sinal”. Isso sugere que o mercado já tinha precificado esses resultados.

2. Aumento das preocupações com crédito privado — A diretora do Fed, Lisa Cook, alertou publicamente que o setor de crédito privado apresenta vulnerabilidades na avaliação de ativos, com possíveis conexões complexas ao sistema financeiro, aumentando o risco. Os spreads de crédito se ampliaram rapidamente.

3. Dados de emprego que não dissiparam a incerteza — O relatório de emprego de setembro foi robusto, mas insuficiente para esclarecer a decisão do Fed em dezembro. As dúvidas sobre as expectativas de juros persistiram.

4. Venda em cadeia no mercado de criptomoedas — A quebra do suporte psicológico de 90.000 dólares do Bitcoin levou a uma venda mais ampla de ativos de risco. Essa queda precedeu a do mercado de ações dos EUA, indicando que o sentimento de risco pode estar começando a se propagar de setores de alto risco.

5. Aceleração das vendas por CTA (Consultores de Negociação de Commodities) — Os CTAs estavam altamente posicionados em long. Quando o mercado rompeu níveis técnicos de curto prazo, as vendas sistemáticas se intensificaram, aumentando a pressão de venda.

6. Reentrada de vendedores a descoberto — A mudança de direção do mercado ativou posições short, acelerando a queda dos preços.

7. Fracasso de grandes empresas de tecnologia na Ásia — A fraqueza de empresas como SK Hynix e SoftBank não conseguiu fornecer suporte externo ao mercado dos EUA.

8. Queda rápida na liquidez do mercado — A liquidez de negociação das principais empresas do S&P 500 deteriorou-se significativamente, ficando bem abaixo da média anual. Com liquidez quase zero, pequenas vendas podem gerar movimentos de preço expressivos.

9. Domínio do macro sobre o micro — O volume de negociações de ETFs aumentou rapidamente, indicando que o mercado está sendo dominado por fatores macro e fluxos passivos, em vez de fundamentos de ações individuais.

A Fragilidade da Liquidez — O Papel do Trading Automático e ETFs

Esta grande queda revelou uma vulnerabilidade estrutural profunda do mercado. A liquidez atual não é tão sólida quanto parece. A combinação de “Tecnologia + IA” tornou-se uma arena de competição acirrada, com fluxos massivos de capital, onde até mesmo um pequeno ponto de inflexão pode desencadear uma reação em cadeia.

Especialmente importante é notar que estratégias quantitativas, ETFs e fundos passivos estão cada vez mais sustentando a liquidez do mercado, mudando sua estrutura. Quanto mais automatizadas as negociações, mais fácil se torna uma venda coletiva sincronizada. Pequenos gatilhos podem gerar reações algorítmicas em cadeia, acelerando quedas além da vontade humana.

Criptomoedas como Termômetro do Mercado — Mudança no Papel do BTC

Um fenômeno interessante é que essa grande queda foi precedida pelo Bitcoin, indicando que as criptomoedas finalmente passaram a fazer parte do ciclo de formação de preços de ativos globais. O BTC e o ETH deixaram de ser ativos periféricos e passaram a atuar como termômetros de risco global, na linha de frente do sentimento de mercado.

Atualmente, o preço do BTC está em torno de 68.100 dólares, e o do ETH em 1.980 dólares (em fevereiro de 2026). Mesmo meses após a queda de novembro de 2025, o mercado ainda está em fase de ajuste, sugerindo que o processo de fundo do mercado está em andamento.

O Fim do Mercado de Alta — A Essência da Correção de Mercado

Para responder a essa questão, podemos consultar a visão mais recente de Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates. Ele reconhece que os investimentos relacionados à IA estão formando uma bolha, mas acredita que os investidores não precisam vender tudo de forma precipitada.

A situação atual não corresponde exatamente ao pico das bolhas de 1999 ou 1929. Segundo alguns indicadores que Dalio monitora, o mercado dos EUA está em cerca de 80% do nível dessas épocas. Isso não significa que deva-se vender tudo agora, mas que “antes que a bolha estoure, ainda há potencial de alta”.

Basicamente, essa grande queda não foi um “cisne negro” repentino, mas uma reação de pânico coletivo provocada por uma rápida e intensa quebra de expectativas altamente sincronizadas. Além disso, revelou problemas importantes: a verdadeira liquidez do mercado é mais frágil do que se imagina, e a alta concentração de negociações automatizadas e fundos passivos criou vulnerabilidades estruturais.

Espera-se que o mercado entre numa fase de alta volatilidade, não de um mercado de baixa completo. É preciso um tempo para que as expectativas de crescimento e juros sejam readaptadas. O ciclo de investimentos em IA não terminará imediatamente, mas a era de “subida por pensamento parado” acabou. O mercado deve passar de uma fase de expectativa para realização de lucros.

Durante esse ciclo de queda, os ativos de risco mais vulneráveis — como as criptomoedas, com maior alavancagem e menor liquidez — cairão mais rapidamente, embora também possam ser os primeiros a se recuperar. Essa grande queda deve servir como um momento de aprendizado para os participantes do mercado, que precisam entender profundamente a estrutura do mercado e reforçar a gestão de riscos.

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