O mercado de commodities testemunhou uma configuração favorável para os compradores de café, à medida que o dólar estendeu sua tendência de queda na segunda-feira. Os contratos futuros de arábica de março avançaram 5,35 pontos, traduzindo-se numa valorização de +1,52%, enquanto os contratos de robusta de março subiram 55 pontos, representando um aumento de +1,33%. Este movimento de alta refletiu a recuperação mais ampla das commodities impulsionada pela contínua depreciação do índice do dólar, que enfraqueceu mais 0,5% para atingir uma nova mínima de 4 meses. Historicamente, a fraqueza do dólar tende a impulsionar as avaliações das commodities em geral, e o café não foi exceção durante este ciclo recente.
Depreciação do Dólar Alimenta a Recuperação
Os movimentos cambiais continuam a ser um fator crítico para os preços do café. Quando o dólar enfraquece face a outras moedas principais, as commodities cotadas em dólares tornam-se mais atraentes para compradores internacionais, criando um suporte natural para os níveis de preço. A deterioração recente do índice do dólar proporcionou esse tipo de impulso. Além do impulso cambial, tendências mais amplas na dinâmica de oferta de café estão a acrescentar complexidade ao panorama dos preços do café.
Preocupações com a Oferta no Brasil Apoiam o Mercado
O Brasil, responsável por cerca de um terço da produção mundial de arábica, continua a enfrentar condições que podem restringir os fornecimentos a curto prazo. A Cecafe reportou que as exportações brasileiras de café verde para dezembro contrairam-se drasticamente em 18,4% em comparação com o ano anterior, caindo para 2,86 milhões de sacos. Dentro desta queda, os embarques de arábica diminuíram 10% ano a ano para 2,6 milhões de sacos, enquanto as exportações de robusta despencaram 61% em relação ao ano anterior, para apenas 222.147 sacos. Para agravar estes desafios de exportação, as condições meteorológicas em Minas Gerais—a região mais crítica para o cultivo de arábica no Brasil—permanece preocupante. A Somar Meteorologia reportou que a região recebeu apenas 33,9 milímetros de chuva durante a semana que terminou a 16 de janeiro, representando apenas 53% da média histórica. Esta precipitação abaixo do normal poderá, eventualmente, limitar o potencial de rendimento para o próximo ciclo de colheita.
No entanto, o quadro de inventários apresenta um pano de fundo mais nuançado para os preços do café. Os estoques de arábica monitorizados pela ICE inicialmente caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos, em novembro, mas desde então recuperaram para 461.829 sacos em meados de janeiro. De forma semelhante, os inventários de robusta diminuíram para mínimos de 1 ano em dezembro, antes de se recuperarem para 4.609 lotes no final de janeiro. Esta reconstrução de inventários moderou ligeiramente algumas das preocupações com a escassez de oferta.
Aumento da Produção no Vietname Pressiona o Robusta
O Vietname, maior produtor mundial de robusta, está a aumentar significativamente a sua produção. As exportações de café do país subiram 17,5% em relação ao ano anterior em 2025, para 1,58 milhões de toneladas métricas, de acordo com estatísticas oficiais. A produção está projetada para subir mais 6% em relação ao ano anterior, atingindo 1,76 milhões de toneladas métricas, ou aproximadamente 29,4 milhões de sacos, marcando um pico de 4 anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname indicou que a produção poderá aumentar 10% acima da temporada anterior, se o clima favorável persistir. Esta abundância de fornecimentos de robusta vietnamita cria obstáculos específicos para os preços do robusta, mesmo que os mercados de arábica possam beneficiar-se da escassez de oferta brasileira.
Previsões de Produção Apontam para um Quadro Misto
As perspetivas globais de oferta mostram sinais mistos para os preços do café. A Organização Internacional do Café reportou que as exportações mundiais de café para o ano de comercialização atual diminuíram ligeiramente 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, sugerindo um aperto moderado. No entanto, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta que a produção mundial de café em 2025/26 aumentará 2,0% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos. Dentro deste total, a produção de arábica deve diminuir 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a produção de robusta expande-se 10,9%, para 83,333 milhões de sacos.
A nível de país, espera-se que a produção do Brasil em 2025/26 caia 3,1% em relação ao ano anterior, para 63 milhões de sacos—uma contração significativa. Por outro lado, a produção do Vietname está projetada para subir 6,2% em relação ao ano anterior, para 30,8 milhões de sacos, o valor mais alto em quatro anos. Olhando mais à frente, os stocks finais globais para 2025/26 estão previstos para diminuir 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos no ano anterior, sugerindo um aperto na balança de oferta global de forma geral.
O caminho a seguir para os preços do café permanece contestado entre fatores estruturais de suporte e obstáculos contrários. Enquanto a fraqueza do dólar e as preocupações com a oferta brasileira oferecem suporte fundamental, a expansão da produção vietnamita e a perspetiva de uma produção global recorde criam pressões contrárias sobre os preços do café. Os participantes do mercado provavelmente continuarão a focar-se nos desenvolvimentos meteorológicos no Brasil e na execução da colheita vietnamita como variáveis-chave que determinarão a trajetória dos preços do café durante o restante da temporada.
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Os preços do café sobem à medida que a fraqueza do dólar cria oportunidades para os touros
O mercado de commodities testemunhou uma configuração favorável para os compradores de café, à medida que o dólar estendeu sua tendência de queda na segunda-feira. Os contratos futuros de arábica de março avançaram 5,35 pontos, traduzindo-se numa valorização de +1,52%, enquanto os contratos de robusta de março subiram 55 pontos, representando um aumento de +1,33%. Este movimento de alta refletiu a recuperação mais ampla das commodities impulsionada pela contínua depreciação do índice do dólar, que enfraqueceu mais 0,5% para atingir uma nova mínima de 4 meses. Historicamente, a fraqueza do dólar tende a impulsionar as avaliações das commodities em geral, e o café não foi exceção durante este ciclo recente.
Depreciação do Dólar Alimenta a Recuperação
Os movimentos cambiais continuam a ser um fator crítico para os preços do café. Quando o dólar enfraquece face a outras moedas principais, as commodities cotadas em dólares tornam-se mais atraentes para compradores internacionais, criando um suporte natural para os níveis de preço. A deterioração recente do índice do dólar proporcionou esse tipo de impulso. Além do impulso cambial, tendências mais amplas na dinâmica de oferta de café estão a acrescentar complexidade ao panorama dos preços do café.
Preocupações com a Oferta no Brasil Apoiam o Mercado
O Brasil, responsável por cerca de um terço da produção mundial de arábica, continua a enfrentar condições que podem restringir os fornecimentos a curto prazo. A Cecafe reportou que as exportações brasileiras de café verde para dezembro contrairam-se drasticamente em 18,4% em comparação com o ano anterior, caindo para 2,86 milhões de sacos. Dentro desta queda, os embarques de arábica diminuíram 10% ano a ano para 2,6 milhões de sacos, enquanto as exportações de robusta despencaram 61% em relação ao ano anterior, para apenas 222.147 sacos. Para agravar estes desafios de exportação, as condições meteorológicas em Minas Gerais—a região mais crítica para o cultivo de arábica no Brasil—permanece preocupante. A Somar Meteorologia reportou que a região recebeu apenas 33,9 milímetros de chuva durante a semana que terminou a 16 de janeiro, representando apenas 53% da média histórica. Esta precipitação abaixo do normal poderá, eventualmente, limitar o potencial de rendimento para o próximo ciclo de colheita.
No entanto, o quadro de inventários apresenta um pano de fundo mais nuançado para os preços do café. Os estoques de arábica monitorizados pela ICE inicialmente caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos, em novembro, mas desde então recuperaram para 461.829 sacos em meados de janeiro. De forma semelhante, os inventários de robusta diminuíram para mínimos de 1 ano em dezembro, antes de se recuperarem para 4.609 lotes no final de janeiro. Esta reconstrução de inventários moderou ligeiramente algumas das preocupações com a escassez de oferta.
Aumento da Produção no Vietname Pressiona o Robusta
O Vietname, maior produtor mundial de robusta, está a aumentar significativamente a sua produção. As exportações de café do país subiram 17,5% em relação ao ano anterior em 2025, para 1,58 milhões de toneladas métricas, de acordo com estatísticas oficiais. A produção está projetada para subir mais 6% em relação ao ano anterior, atingindo 1,76 milhões de toneladas métricas, ou aproximadamente 29,4 milhões de sacos, marcando um pico de 4 anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname indicou que a produção poderá aumentar 10% acima da temporada anterior, se o clima favorável persistir. Esta abundância de fornecimentos de robusta vietnamita cria obstáculos específicos para os preços do robusta, mesmo que os mercados de arábica possam beneficiar-se da escassez de oferta brasileira.
Previsões de Produção Apontam para um Quadro Misto
As perspetivas globais de oferta mostram sinais mistos para os preços do café. A Organização Internacional do Café reportou que as exportações mundiais de café para o ano de comercialização atual diminuíram ligeiramente 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, sugerindo um aperto moderado. No entanto, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta que a produção mundial de café em 2025/26 aumentará 2,0% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos. Dentro deste total, a produção de arábica deve diminuir 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a produção de robusta expande-se 10,9%, para 83,333 milhões de sacos.
A nível de país, espera-se que a produção do Brasil em 2025/26 caia 3,1% em relação ao ano anterior, para 63 milhões de sacos—uma contração significativa. Por outro lado, a produção do Vietname está projetada para subir 6,2% em relação ao ano anterior, para 30,8 milhões de sacos, o valor mais alto em quatro anos. Olhando mais à frente, os stocks finais globais para 2025/26 estão previstos para diminuir 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos no ano anterior, sugerindo um aperto na balança de oferta global de forma geral.
O caminho a seguir para os preços do café permanece contestado entre fatores estruturais de suporte e obstáculos contrários. Enquanto a fraqueza do dólar e as preocupações com a oferta brasileira oferecem suporte fundamental, a expansão da produção vietnamita e a perspetiva de uma produção global recorde criam pressões contrárias sobre os preços do café. Os participantes do mercado provavelmente continuarão a focar-se nos desenvolvimentos meteorológicos no Brasil e na execução da colheita vietnamita como variáveis-chave que determinarão a trajetória dos preços do café durante o restante da temporada.