Mais de 18 trilhões de dólares em interesses pessoais: os bilionários do mundo estabelecem novos recordes, agravando rapidamente a desigualdade

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19 de janeiro, o mais recente relatório divulgado pela organização internacional de caridade Oxfam voltou a evidenciar a gravidade do desequilíbrio de riqueza no mundo. O relatório revela que a ganância dos ultra-ricos está a levar à concentração de poder e a acelerar a desigualdade a nível global. Segundo a análise da Oxfam, o património total dos bilionários mundiais ultrapassou os 18,3 biliões de dólares, atingindo níveis históricos de concentração de riqueza.

Concentração de poder pelos ultra-ricos devido à sua ganância

O que a Oxfam destaca no seu relatório não é apenas o aumento da riqueza, mas o exercício de poder que essa riqueza possibilita. De acordo com o relatório, o número de bilionários no ano passado ultrapassou os 3000, com um aumento de 16% no património total em relação ao ano anterior. Ainda mais chocante é o facto de, em apenas seis anos desde 2020, o património dos bilionários ter crescido 81%.

Os ultra-ricos utilizam essa imensa riqueza para perseguir interesses pessoais, expandindo o seu controlo sobre a política e os media. Empresários famosos como Elon Musk e Jeff Bezos usam a sua riqueza para ampliar a influência política e reforçar o seu domínio na sociedade. Este tipo de concentração de poder funciona como um mecanismo que exclui a voz dos cidadãos comuns nas decisões, promovendo a formulação de políticas favoráveis aos ultra-ricos.

Crescimento histórico da riqueza e estagnação na redução da pobreza

A contradição apontada pela Oxfam é grave. Durante a última década, considerada a era de ouro dos ricos, os ultra-ricos continuam a enriquecer-se cada vez mais. Por outro lado, a redução da pobreza a nível mundial desacelera significativamente, permanecendo praticamente ao nível de 2019.

Ou seja, os frutos do crescimento económico global estão a ser quase exclusivamente usufruídos por uma minoria de ultra-ricos. Esta estrutura de distribuição assimétrica de riqueza acentua a diminuição da classe média e mantém a pobreza, aprofundando ainda mais a desigualdade económica.

Aprofundamento da desigualdade através do controlo político e mediático

O alerta do diretor-geral da Oxfam, Gabriela Bucher, é claro: “A influência excessiva dos ultra-ricos na política, na economia e nos media agrava a desigualdade e afasta-nos do caminho certo para resolver a pobreza”. Isto não é apenas uma questão de desigualdade económica, mas uma ameaça ao próprio processo democrático.

O exercício de poder baseado na ganância dos ultra-ricos distorce as decisões políticas, influencia a postura dos media e direciona as políticas públicas para interesses próprios. Como consequência, objetivos universais como a redução da pobreza e a justiça social ficam em segundo plano, enquanto a concentração de riqueza e poder aumenta ainda mais.

Este relatório da Oxfam sugere que a desigualdade económica não é apenas uma questão de disparidade de rendimentos, mas uma transformação na estrutura social, através do controlo político e mediático. Enquanto o sistema atual de dominação dos ultra-ricos persistir, será difícil melhorar a desigualdade a nível mundial.

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