Do ponto de vista da cadeia de abastecimento global, por que a China se tornou uma dupla monstro de consumo de recursos e manufatura assustador?

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O mistério do excedente comercial da China parece originar-se de uma insuficiência de procura interna, mas na verdade esconde uma estrutura económica global mais profunda. Para compreender verdadeiramente este fenómeno, não deixe de começar pela posição única da China na cadeia de abastecimento global.

Importação de recursos: o maior comprador assustador do mundo

Ao abrir os dados de importação de recursos minerais, descobre-se uma verdade assustadora — a China tornou-se o maior país importador de matérias-primas da história da humanidade.

Para além do ouro e do petróleo, a China domina absolutamente quase todos os principais minerais. No setor do carvão, apesar de produzir suficiente internamente, a China importa 35% do carvão global; em minerais estratégicos como minério de ferro, cobre e bauxita, as quotas de importação variam entre 60% e 90%. No setor do petróleo, cerca de 80-90% da produção da Venezuela e do Irão acaba por chegar à China.

O que significa uma escala de importação assim? Significa que o mercado global de recursos minerais já está saturado pela procura da China. Só o minério de ferro, uma mercadoria de grande volume, movimenta mais de 100 mil milhões de dólares por ano, mas esse é o limite — as necessidades de compra da China já atingiram o pico, não havendo espaço para crescimento adicional.

Capacidade de produção industrial: uma produção global que não consegue satisfazer

Se a importação de recursos faz da China um comprador assustador, então a capacidade de produção industrial faz da China um vendedor assustador.

Os dados do setor fotovoltaico ilustram bem o problema: em 2025, a procura global por painéis solares será de cerca de 630 GW, sendo que a China responderá por 290 GW, com uma quota de mercado de 46%. Considerando que a população chinesa representa apenas um sexto do total mundial, esta quota já excede em muito o que qualquer país deveria ter.

Em muitos setores, a capacidade de produção da China representa mais de 50% do total global, chegando até a 90% em alguns casos. No setor automóvel, por exemplo, de acordo com os planos de produção de várias fábricas e cidades, a China consegue facilmente produzir 100 milhões de veículos por ano, muito acima da procura global total. Este nível de capacidade de produção é algo que outros países nem sequer ousam imaginar.

“Insuficiência de procura” é uma falsa questão

Muitos analistas atribuem o excedente de exportação da China à insuficiência de procura interna, levando a que a capacidade excedente seja forçada a direcionar-se para as exportações. Mas essa lógica não se sustenta.

A escala de capacidade da China foi projetada para o mercado global, e não pode ser absorvida internamente. Por mais que se estimule a procura interna, ela não consegue consumir uma produção que excede a procura global total. Assim, a força ou fraqueza da procura interna tem um impacto mínimo no excedente de comércio.

Redefinir a fórmula do excedente comercial

O excedente comercial da China pode ser explicado por uma fórmula simples e independente:

Excedente comercial = procura global por bens manufaturados da China - importação de matérias-primas da China

A verdade de que o excedente atingiu 1,2 triliões de dólares em 2025 é que: as importações de matérias-primas já atingiram o teto (as reservas de vários países estão em níveis elevados, a procura de importação está saturada), enquanto a procura global por produtos manufaturados chineses continua a crescer (todos querem comprar mais produtos da China).

Esta fórmula não tem relação com a força ou fraqueza da procura interna chinesa. Independentemente das oscilações na procura interna, a procura global por produtos chineses continuará a aumentar. Desde que as exportações sejam lucrativas, as empresas manufatureiras priorizarão o atendimento aos pedidos externos, que é a lógica fundamental do mercado.

O espaço para o futuro ainda existe

Em 2025, o excedente de bens exportados representa 1% do PIB global, podendo facilmente ultrapassar os 2 trilhões de dólares e atingir 2% do PIB mundial. Não se trata de um problema de procura interna, mas de uma consequência natural da procura global por produtos chineses.

É importante reconhecer que a expansão de produção em alguns setores chineses excedeu a procura global, e essa parte realmente precisa de controlo e ajuste. Mas o problema fundamental não é a insuficiência de procura interna, mas sim o enorme apetite do mercado global pelos produtos manufaturados eficientes da China. Quando a China é tanto o maior importador de recursos do mundo quanto o maior fornecedor de bens manufaturados, o grande excedente comercial torna-se uma consequência inevitável, e não um sinal de desequilíbrio económico.

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