Se acreditar nas informações do perfil na P2P Foundation, Satoshi Nakamoto completará cinquenta anos em 2025. No entanto, a maioria dos especialistas da comunidade de criptomoedas está convencida de que essa data não nasceu da realidade, mas do simbolismo. 5 de abril remete ao decreto de Franklin D. Roosevelt de 1933, que proibiu os cidadãos dos EUA de possuírem ouro, e o ano de 1975 é o momento em que essa proibição foi levantada. O Bitcoin, como ouro digital, fora do alcance do Estado, é o que o autor anônimo quis expressar com sua data de nascimento.
Linguistas e programadores que estudaram o legado de Nakamoto chegaram a uma conclusão interessante: o estilo de impressão com dois espaços após o ponto, o uso da notação húngara no código, abordagens arcaicas de codificação para 2008 — tudo isso indica uma pessoa que aprendeu a programar antes da era dos computadores pessoais. Muitos pesquisadores supõem que Satoshi Nakamoto está mais próximo dos 60 do que dos 50 anos.
Como tudo começou: revolução em 9 páginas
Em 31 de outubro de 2008, foi apresentada ao mundo a white paper intitulada «Bitcoin: Sistema de Dinheiro Eletrônico Peer-to-Peer». O documento era modesto em volume — apenas 9 páginas — mas revolucionário no conteúdo. Aqui foi descrito pela primeira vez um sistema que funciona sem bancos e intermediários financeiros, resolvendo um antigo problema — como garantir que uma unidade digital não seja gasta duas vezes.
Três meses depois, Satoshi Nakamoto criou o primeiro bloco da blockchain. Nele foi inserida uma citação do jornal The Times: «The Times 03/Jan/2009 Chancellor on brink of second bailout for banks». Não é apenas uma marca temporal, é uma mensagem. Enquanto os bancos mundiais lutavam na crise de 2008, uma moeda que eles não precisavam estava nascendo.
A genialidade técnica de Nakamoto na solução do problema do gasto duplo residia no sistema de prova de trabalho e na rede descentralizada de validadores. Pela primeira vez na história, o escassez digital tornou-se possível sem controle central. Foi uma inovação.
Uma fortuna incalculável que ninguém tocou
Análises dos primeiros blocos de Bitcoin mostram que Satoshi Nakamoto minerou entre 750 mil e 1,1 milhão de moedas nos primeiros anos. Com o preço atual de cerca de $85.000 por moeda, isso equivale a uma fortuna na faixa de $63,8 bilhões a $93,5 bilhões. Isso faz do criador do Bitcoin um dos 20 mais ricos do planeta.
Mas o que impressiona é que, em 16 anos, nenhuma dessas moedas foi gasta, transferida ou mesmo tocada. Os endereços de Nakamoto estão congelados no tempo. O pesquisador de segurança criptográfica Sergio Demian Lerner identificou um padrão na mineração, chamado de «padrão Patoashi», que permite rastrear quais blocos pertenciam ao criador. Os resultados são claros: Nakamoto controlava uma quantidade enorme de bitcoins e conscientemente reduzia a taxa de mineração, dando oportunidade a outros.
Por que nada se move? Existem várias teorias. Talvez Nakamoto tenha perdido acesso às chaves. Talvez já não esteja mais vivo. Talvez seja uma decisão filosófica — deixar a riqueza como presente para a ecossistema. Ou talvez, o silêncio seja a forma mais sábia de proteção: qualquer movimento de dinheiro revelaria sua identidade por meio de procedimentos de troca ou análise da blockchain.
Quem suspeitam: principais versões
Ao longo dos anos, o nome de Satoshi Nakamoto foi atribuído a dezenas de pessoas.
Hal Finney (1956-2014), criptógrafo e primeiro destinatário de uma transação de Bitcoin de Nakamoto, foi por muito tempo considerado o principal suspeito. Morava perto de Dorian Nakamoto na Califórnia, tinha o conhecimento necessário e a análise linguística revelou semelhanças na escrita. Mas Finney negou até a morte qualquer envolvimento.
Nick Szabo desenvolveu a concepção de Bit Gold ainda em 1998 — o predecessor direto do Bitcoin. Suas cartas são surpreendentemente semelhantes às de Nakamoto em estilo. Seus conhecimentos em criptografia e teoria monetária combinam perfeitamente com a arquitetura do Bitcoin. Mas ele nega consistentemente.
Adam Back criou o Hashcash, algoritmo de prova de trabalho mencionado na white paper. Um dos primeiros a procurar Nakamoto. A candidatura é séria, mas Back também nega.
Craig Wright foi o único que ativamente afirmou ser Satoshi Nakamoto. Registrou até direitos autorais na white paper. No entanto, em março de 2024, um juiz do Tribunal Superior do Reino Unido declarou categoricamente: Wright não é o autor da white paper, os documentos apresentados por ele são falsificados.
Em 2024, um documentário da HBO apresentou uma versão mais recente: Peter Todd, desenvolvedor do Bitcoin. O filme mostra mensagens de chat e o uso do inglês canadense. Mas Todd chamou essa versão de «ridícula».
Há também a opinião de que Nakamoto não é uma pessoa, mas um grupo. Talvez uma combinação de alguns dos nomes acima.
Por que o desaparecimento foi necessário
Aqui reside a genialidade de Nakamoto. Imagine: se o criador permanecesse visível, o Bitcoin inevitavelmente teria um centro de influência. Estados pressionariam, concorrentes subornariam, suas palavras causariam turbulências no mercado. Cada declaração dele poderia provocar um fork.
O desaparecimento de Nakamoto não é apenas uma medida de segurança (embora também seja). É uma afirmação filosófica: o Bitcoin não precisa de um líder, não precisa de carisma do criador. A rede vive por si só.
Isso difere fundamentalmente de outros projetos de criptomoedas, onde os fundadores permanecem visíveis e, assim, tornam-se pontos vulneráveis da rede. Nakamoto escolheu outro caminho: ensinar as pessoas a confiar na matemática e no código, e não em personalidades. Em um sistema criado para eliminar a necessidade de confiar em terceiros, o criador anônimo é a personificação ideal do princípio.
De estátuas a culto: como Nakamoto entrou na cultura pop
À medida que o Bitcoin cresceu de um hobby de nicho de criptógrafos para um ativo global, a imagem de Satoshi Nakamoto adquiriu um status quase mitológico.
Em 2021, uma escultura de bronze de Nakamoto com rosto refletido foi instalada em Budapeste — símbolo de que qualquer um pode ser Satoshi. Em Lugano, Suíça, onde o município aceitou Bitcoin para pagamentos, também foi colocada uma estátua comemorativa.
Roupas com a imagem e o nome de Nakamoto tornaram-se produtos da cultura pop. Em 2022, até a Vans lançou uma linha limitada de calçados «Satoshi Nakamoto». Camisas e moletons com marcas são vendidos a entusiastas de criptomoedas ao redor do mundo.
Citações de cartas de Nakamoto tornaram-se mantras do movimento: «A raiz do problema com a moeda tradicional é a confiança, que é necessária para seu funcionamento» ou «Se você não acredita em mim, não tenho tempo para convencê-lo».
Números que falam por si
Em abril de 2025, quando o Bitcoin atingiu uma máxima histórica acima de $109.000, a fortuna de Nakamoto ultrapassou temporariamente $120 bilhões. Na mesma linha: 500 milhões de usuários de criptomoedas em todo o mundo em 2025 — consequência direta da inovação lançada por uma pessoa anônima há 16 anos.
A tecnologia blockchain, criada a partir da white paper de Nakamoto, gerou uma indústria inteira: contratos inteligentes (Ethereum), finanças descentralizadas (DeFi), que desafiam o sistema bancário tradicional. Os bancos centrais estão desenvolvendo suas próprias moedas digitais baseadas em blockchain, embora tenham pouco a ver com a visão descentralizada de Nakamoto.
Em março de 2025, o presidente dos EUA assinou um decreto criando uma reserva estratégica de Bitcoin. Uma decisão outrora impensável para um financista ortodoxo tornou-se uma realidade política.
A resolução do enigma
Satoshi Nakamoto permanece um mistério. Está vivo? Morreu? É um grupo de pessoas? Não há resposta e, talvez, ela nunca seja dada. Mas isso já não é tão importante.
O legado de Nakamoto não é uma pessoa, mas uma ideia. A ideia de que o sistema financeiro pode existir sem controle central, sem confiar nas autoridades, apenas com base na matemática e no consenso. Essa ideia se enraizou, se consolidou e cresceu em algo que o criador não controla e não pode controlar.
Talvez, nisso esteja a verdadeira genialidade: criar algo tão revolucionário que vive e evolui independentemente de você, permanecendo assim para sempre parte dele.
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Enigma do valor: Por que é que o criador do Bitcoin está em silêncio?
Se acreditar nas informações do perfil na P2P Foundation, Satoshi Nakamoto completará cinquenta anos em 2025. No entanto, a maioria dos especialistas da comunidade de criptomoedas está convencida de que essa data não nasceu da realidade, mas do simbolismo. 5 de abril remete ao decreto de Franklin D. Roosevelt de 1933, que proibiu os cidadãos dos EUA de possuírem ouro, e o ano de 1975 é o momento em que essa proibição foi levantada. O Bitcoin, como ouro digital, fora do alcance do Estado, é o que o autor anônimo quis expressar com sua data de nascimento.
Linguistas e programadores que estudaram o legado de Nakamoto chegaram a uma conclusão interessante: o estilo de impressão com dois espaços após o ponto, o uso da notação húngara no código, abordagens arcaicas de codificação para 2008 — tudo isso indica uma pessoa que aprendeu a programar antes da era dos computadores pessoais. Muitos pesquisadores supõem que Satoshi Nakamoto está mais próximo dos 60 do que dos 50 anos.
Como tudo começou: revolução em 9 páginas
Em 31 de outubro de 2008, foi apresentada ao mundo a white paper intitulada «Bitcoin: Sistema de Dinheiro Eletrônico Peer-to-Peer». O documento era modesto em volume — apenas 9 páginas — mas revolucionário no conteúdo. Aqui foi descrito pela primeira vez um sistema que funciona sem bancos e intermediários financeiros, resolvendo um antigo problema — como garantir que uma unidade digital não seja gasta duas vezes.
Três meses depois, Satoshi Nakamoto criou o primeiro bloco da blockchain. Nele foi inserida uma citação do jornal The Times: «The Times 03/Jan/2009 Chancellor on brink of second bailout for banks». Não é apenas uma marca temporal, é uma mensagem. Enquanto os bancos mundiais lutavam na crise de 2008, uma moeda que eles não precisavam estava nascendo.
A genialidade técnica de Nakamoto na solução do problema do gasto duplo residia no sistema de prova de trabalho e na rede descentralizada de validadores. Pela primeira vez na história, o escassez digital tornou-se possível sem controle central. Foi uma inovação.
Uma fortuna incalculável que ninguém tocou
Análises dos primeiros blocos de Bitcoin mostram que Satoshi Nakamoto minerou entre 750 mil e 1,1 milhão de moedas nos primeiros anos. Com o preço atual de cerca de $85.000 por moeda, isso equivale a uma fortuna na faixa de $63,8 bilhões a $93,5 bilhões. Isso faz do criador do Bitcoin um dos 20 mais ricos do planeta.
Mas o que impressiona é que, em 16 anos, nenhuma dessas moedas foi gasta, transferida ou mesmo tocada. Os endereços de Nakamoto estão congelados no tempo. O pesquisador de segurança criptográfica Sergio Demian Lerner identificou um padrão na mineração, chamado de «padrão Patoashi», que permite rastrear quais blocos pertenciam ao criador. Os resultados são claros: Nakamoto controlava uma quantidade enorme de bitcoins e conscientemente reduzia a taxa de mineração, dando oportunidade a outros.
Por que nada se move? Existem várias teorias. Talvez Nakamoto tenha perdido acesso às chaves. Talvez já não esteja mais vivo. Talvez seja uma decisão filosófica — deixar a riqueza como presente para a ecossistema. Ou talvez, o silêncio seja a forma mais sábia de proteção: qualquer movimento de dinheiro revelaria sua identidade por meio de procedimentos de troca ou análise da blockchain.
Quem suspeitam: principais versões
Ao longo dos anos, o nome de Satoshi Nakamoto foi atribuído a dezenas de pessoas.
Hal Finney (1956-2014), criptógrafo e primeiro destinatário de uma transação de Bitcoin de Nakamoto, foi por muito tempo considerado o principal suspeito. Morava perto de Dorian Nakamoto na Califórnia, tinha o conhecimento necessário e a análise linguística revelou semelhanças na escrita. Mas Finney negou até a morte qualquer envolvimento.
Nick Szabo desenvolveu a concepção de Bit Gold ainda em 1998 — o predecessor direto do Bitcoin. Suas cartas são surpreendentemente semelhantes às de Nakamoto em estilo. Seus conhecimentos em criptografia e teoria monetária combinam perfeitamente com a arquitetura do Bitcoin. Mas ele nega consistentemente.
Adam Back criou o Hashcash, algoritmo de prova de trabalho mencionado na white paper. Um dos primeiros a procurar Nakamoto. A candidatura é séria, mas Back também nega.
Craig Wright foi o único que ativamente afirmou ser Satoshi Nakamoto. Registrou até direitos autorais na white paper. No entanto, em março de 2024, um juiz do Tribunal Superior do Reino Unido declarou categoricamente: Wright não é o autor da white paper, os documentos apresentados por ele são falsificados.
Em 2024, um documentário da HBO apresentou uma versão mais recente: Peter Todd, desenvolvedor do Bitcoin. O filme mostra mensagens de chat e o uso do inglês canadense. Mas Todd chamou essa versão de «ridícula».
Há também a opinião de que Nakamoto não é uma pessoa, mas um grupo. Talvez uma combinação de alguns dos nomes acima.
Por que o desaparecimento foi necessário
Aqui reside a genialidade de Nakamoto. Imagine: se o criador permanecesse visível, o Bitcoin inevitavelmente teria um centro de influência. Estados pressionariam, concorrentes subornariam, suas palavras causariam turbulências no mercado. Cada declaração dele poderia provocar um fork.
O desaparecimento de Nakamoto não é apenas uma medida de segurança (embora também seja). É uma afirmação filosófica: o Bitcoin não precisa de um líder, não precisa de carisma do criador. A rede vive por si só.
Isso difere fundamentalmente de outros projetos de criptomoedas, onde os fundadores permanecem visíveis e, assim, tornam-se pontos vulneráveis da rede. Nakamoto escolheu outro caminho: ensinar as pessoas a confiar na matemática e no código, e não em personalidades. Em um sistema criado para eliminar a necessidade de confiar em terceiros, o criador anônimo é a personificação ideal do princípio.
De estátuas a culto: como Nakamoto entrou na cultura pop
À medida que o Bitcoin cresceu de um hobby de nicho de criptógrafos para um ativo global, a imagem de Satoshi Nakamoto adquiriu um status quase mitológico.
Em 2021, uma escultura de bronze de Nakamoto com rosto refletido foi instalada em Budapeste — símbolo de que qualquer um pode ser Satoshi. Em Lugano, Suíça, onde o município aceitou Bitcoin para pagamentos, também foi colocada uma estátua comemorativa.
Roupas com a imagem e o nome de Nakamoto tornaram-se produtos da cultura pop. Em 2022, até a Vans lançou uma linha limitada de calçados «Satoshi Nakamoto». Camisas e moletons com marcas são vendidos a entusiastas de criptomoedas ao redor do mundo.
Citações de cartas de Nakamoto tornaram-se mantras do movimento: «A raiz do problema com a moeda tradicional é a confiança, que é necessária para seu funcionamento» ou «Se você não acredita em mim, não tenho tempo para convencê-lo».
Números que falam por si
Em abril de 2025, quando o Bitcoin atingiu uma máxima histórica acima de $109.000, a fortuna de Nakamoto ultrapassou temporariamente $120 bilhões. Na mesma linha: 500 milhões de usuários de criptomoedas em todo o mundo em 2025 — consequência direta da inovação lançada por uma pessoa anônima há 16 anos.
A tecnologia blockchain, criada a partir da white paper de Nakamoto, gerou uma indústria inteira: contratos inteligentes (Ethereum), finanças descentralizadas (DeFi), que desafiam o sistema bancário tradicional. Os bancos centrais estão desenvolvendo suas próprias moedas digitais baseadas em blockchain, embora tenham pouco a ver com a visão descentralizada de Nakamoto.
Em março de 2025, o presidente dos EUA assinou um decreto criando uma reserva estratégica de Bitcoin. Uma decisão outrora impensável para um financista ortodoxo tornou-se uma realidade política.
A resolução do enigma
Satoshi Nakamoto permanece um mistério. Está vivo? Morreu? É um grupo de pessoas? Não há resposta e, talvez, ela nunca seja dada. Mas isso já não é tão importante.
O legado de Nakamoto não é uma pessoa, mas uma ideia. A ideia de que o sistema financeiro pode existir sem controle central, sem confiar nas autoridades, apenas com base na matemática e no consenso. Essa ideia se enraizou, se consolidou e cresceu em algo que o criador não controla e não pode controlar.
Talvez, nisso esteja a verdadeira genialidade: criar algo tão revolucionário que vive e evolui independentemente de você, permanecendo assim para sempre parte dele.