O ânimo para investir vem da crença nos princípios de investimento.
O Buffett começou a fazer negócios e investimentos desde jovem, e após mais de uma década de esforço, aos 26 anos conseguiu fundir as duas atividades. Hoje, em 2025, aos 96 anos, ele ainda está na linha de frente dos investimentos, equilibrando luta e prazer. Apesar de, nesses 70 anos, Buffett ter conquistado uma riqueza surpreendente, quase inimaginável, ao analisarmos detalhadamente, encontramos percepções diferentes que valem a pena refletir com calma.
Taxas de retorno em diferentes fases do investimento de Buffett ao longo de 75 anos: juventude (1950-1956) cerca de 55%-60%; período de parceria privada (1956-1969) antes de deduzir taxas, aproximadamente 30%; período Berkshire Hathaway (1965-2024) 19,4%. Essas taxas compostas, quando divididas ou somadas, superam a média do índice S&P 500 no mesmo período. Sabemos que Buffett sempre usou o índice S&P 500 como referência para avaliar seu desempenho. Pode-se dizer que ele passou a vida constantemente superando esse índice. Esses retornos sustentados de longo prazo não vêm de lucros rápidos ou operações de especulação, mas do seu firme compromisso com os princípios de investimento em valor, compreensão profunda da essência dos negócios e forte controle de riscos. Especialmente na fase Berkshire Hathaway, mesmo com um volume de capital enorme, Buffett conseguiu continuar superando o mercado, o que é raro. Isso se deve à sua rigorosa seleção de vantagens competitivas (moats), qualidade da gestão e preços razoáveis, além de uma mentalidade equilibrada entre contenção na alta e ousadia na baixa do mercado. São esses fatores intangíveis que formaram um sistema de investimento difícil de ser replicado, ampliado pelo efeito dos juros compostos ao longo do tempo. Por trás dessas realizações, há também uma forte adesão à sua própria zona de competência e a uma contínua expansão dela. Buffett não busca tendências de mercado nem expande cegamente seus limites de investimento, mas foca em entender profundamente tipos de empresas em setores familiares, capturando valores subavaliados.
O investimento de Buffett é uma prática extrema do conceito de investimento em valor, aliado a uma disciplina de longo prazo, formando esse milagre de investimento de nível mundial. Quando analisamos o período Berkshire Hathaway (1965-2024), cuja taxa de 19,4% inclui uma média de 26,7% de 1965 a 2000, e uma redução para 9,4% de 2000 a 2004, podemos compará-la ao retorno composto do S&P 500 de 10,4% no mesmo período, com Buffett tendo um retorno excessivo de +9,5%. De 2010 a 2024, a taxa de retorno do Berkshire foi de 11,2%, contra 10,3% do S&P 500, com um excesso de +0,9%. Ainda assim, mesmo desmembrando esses períodos, esses retornos continuam superiores ao índice de referência. Contudo, nos últimos 24 anos, a vantagem de Buffett na superação do mercado diminuiu, fato incontestável. Além disso, na minha avaliação pessoal, os retornos de ações do Berkshire vêm do resultado operacional das empresas mais os lucros obtidos com o uso de reservas de lucros e o investimento em reservas de seguros (ou seja, negócios físicos mais investimentos em ações). Como o ROE dessas empresas geralmente é superior a 20%, minha opinião é que, nos últimos 24 anos, os ganhos de Buffett no mercado secundário de ações não superaram o índice S&P 500 (embora as empresas controladas 100% por ele tenham sido adquiridas por investimentos). Aqui, destaco que minha análise se refere especificamente a esses investimentos em ações no mercado secundário durante esse período.
Essa é a “secreta” que acredito que Buffett não revela. Sua taxa de retorno vem diminuindo, e a sua vantagem de superar o índice S&P 500 no mesmo período também está diminuindo. Mas por que isso acontece? Será que o conceito de investimento em valor de Buffett não é mais adequado à era tecnológica de hoje?
O mesmo questionamento se aplica a “China Buffett”, Dou Pan Yongping, que desde 2002 investiu na NetEase, com ganhos superiores a 100 vezes, e em 2011, na Apple, com retorno de mais de 18 vezes, e em 2013, na Moutai, com mais de 10 vezes de lucro. Nesses 24 anos, sua taxa média anual de retorno foi superior a 36%, um desempenho extraordinário, provavelmente superior ao de Buffett nesse período. Esses resultados excepcionais são dignos de estudo, e ele é alguém que gosta de compartilhar suas experiências, o que aumenta ainda mais o respeito por ele entre investidores de valor na China. Em 2025, em janeiro, ele anunciou que comprou Moutai, e em outubro, aumentou sua posição na mesma. Escrevi um artigo intitulado “Como devemos ver a compra de Moutai por Dou Pan Yongping?” comentando essa operação. Para ele, comprar Moutai é uma prática de seu conceito de investimento em valor, sem certo ou errado, especialmente para nós, leigos. Mas a questão do retorno dessas compras, a partir de agora, merece reflexão. Para Dou, sua métrica sempre foi superar a rentabilidade de depósitos bancários. Precisamos entender que esse padrão de retorno, em comparação ao índice S&P 500 de 10,4% ao ano (de 1965 a 2024), é mais baixo. Dou Yongping sempre enfatizou que seu investimento é uma atividade secundária, um hobby, e que seu objetivo é obter retorno acima da inflação e dos depósitos bancários. Sabemos que sua atividade principal é administrar empresas do grupo BBK e jogar golfe, atividades que já não requerem sua atenção constante. Para investidores comuns, se adotarmos o mesmo custo de oportunidade ou objetivo de retorno (aliás, Dou não estabelece metas de retorno para seus investimentos, o que é interessante e será tema para outro momento), podemos aceitar esse padrão como referência? Além disso, Dou Yongping, sob esse padrão, obteve quase o maior retorno anual de 20 anos que eu já vi. Se um investidor comum começar agora a copiar suas operações, será que também poderá alcançar retornos tão altos? Essa é uma das razões pelas quais alguns jovens investidores na China chamam aqueles que compram ações de bebidas alcoólicas de “Old Dou” (apelido neutro, sem conotação positiva ou negativa). Os “Old Dou” são investidores tradicionais que preferem ações de dividendos, incluindo Moutai. Em 2025, Dou Yongping comprou Moutai a 1400 yuan, e acredito que, segundo Dou, esse retorno será superior ao de depósitos bancários daqui a 10 anos. Mas também acredito que, nesse mesmo período, o retorno dessa ação não será superior ao retorno de 36% ao ano que Dou obteve em 22 anos. Mesmo considerando que, com a recuperação da economia chinesa, esse crescimento possa se recuperar, minha avaliação é que, de forma geral, não será superior ao passado. Assim, prevejo que seus retornos nos próximos 10 anos serão inferiores ao retorno de 36% ao ano que Dou conquistou em 22 anos. Mas, usando sua própria métrica de avaliação, essa previsão tem alta probabilidade de acerto.
Essa é a “secreta” que acredito que Dou Yongping não revela: por que seus retornos estão diminuindo? Porque sua vantagem de superar o índice S&P 500 no mesmo período também está diminuindo. Mas por que isso acontece? Será que o conceito de investimento em valor de Buffett não é mais adequado à era tecnológica de hoje?
O mesmo questionamento se aplica a Pan Yongping, que desde 2002 investiu na NetEase, com retorno médio anual estimado acima de 36%. Por isso, é chamado de “Buffett chinês”. Mas, para 2025, ao continuar aumentando sua posição em Moutai, acredito que seu retorno nos próximos 10 anos será inferior ao de seus 36% anuais anteriores. O motivo principal é que qualquer empresa, por mais excelente que seja, incluindo Moutai com seu modelo de negócio invencível, passa por ciclos de crescimento. Nos últimos anos, a taxa de crescimento de Moutai vem diminuindo, com previsão de 9%-10% em 2025. Com a recuperação da economia chinesa, esse crescimento pode se recuperar, mas minha avaliação é que, de forma geral, não será superior ao passado. Assim, seus retornos futuros provavelmente ficarão abaixo do retorno de 36% ao ano que Dou obteve em 22 anos. Mas, como Dou sempre usa a rentabilidade de depósitos bancários como padrão, seu “resultado” será sempre 100 pontos. Ele mesmo já afirmou várias vezes que seus investimentos são um hobby, que é preguiçoso e que conhece poucas empresas. Portanto, dentro de sua zona de competência, ele comprou a que considera a melhor, a Moutai, e acredita que o retorno será satisfatório. Para investidores comuns, esse padrão de referência é insuficiente. Mas os grandes investidores têm seus próprios critérios e circunstâncias. Como podemos aprender e praticar nossos investimentos?
“Enquanto houver imaginação no mundo, a Disney nunca estará concluída.” — Walt Disney
A primeira compra de ações da Disney por Buffett foi em 1966, 43 anos após sua fundação. Em 1923, Walt Disney e seu irmão Roy criaram a “Disney Brothers Studio” na Califórnia, inicialmente produzindo curtas de Alice para sobreviver. Em 1928, Walt Disney concebeu Mickey Mouse a bordo de um trem, e o filme “Steamboat Willie” foi o primeiro desenho animado sincronizado com som, causando grande impacto. Mickey rapidamente se tornou símbolo cultural e inaugurou a era de produtos licenciados. Em 1955, inaugurou-se o Disneyland na Califórnia, criando um novo modelo de negócios com ingressos, produtos derivados e experiências integradas. Depois, produziu o programa “Disneyland” na TV, transmitido na ABC, formando uma estratégia de mídia cruzada. Em 1966, Walt Disney faleceu, e seu irmão Roy assumiu a empresa. Na mesma época, Buffett ainda gerenciava sua parceria em Omaha, tendo feito sua primeira parceria com Munger em 30 de janeiro de 1966, e ainda não tinha comprado ações da Disney. Naquele ano, a Disney valia cerca de 80 a 90 milhões de dólares, com P/E abaixo de 10 vezes (lucros antes de impostos de 21 milhões de dólares). A maioria dos analistas via a Disney como uma “empresa de projetos”, dependente do sucesso de filmes isolados, com futuro incerto. Buffett foi ao cinema com sua filha para observar a reação das crianças aos filmes, confirmando o apelo do IP da Disney. Percebeu que filmes clássicos como “Branca de Neve” poderiam ser relançados a cada sete anos, criando um efeito de “juros compostos de conteúdo”. Depois, visitou Walt Disney (que faleceu em 15 de dezembro de 1966), e viu as novas atrações como “Piratas do Caribe”, impressionando-se com a dedicação e paixão do criador. Decidiu investir 4 milhões de dólares, adquirindo mais de 5% das ações da Disney, representando mais de 10% do patrimônio de sua parceria na época, uma posição significativa. Naquela época, a empresa tinha mais de 40 milhões de dólares em caixa líquido (quase metade do valor de mercado), e ativos intangíveis (IP, marcas) não estavam contabilizados. Para Buffett, era uma oportunidade de comprar a um preço excelente, pagando 4 centavos por 1 dólar de valor. Sua distinção de outros investidores é que ele prefere fazer pesquisas presenciais e conversar com os fundadores, ao contrário de apenas analisar números. Logo após sua compra, Walt Disney faleceu, e o mercado entrou em pânico. Mas Buffett manteve sua posição, acreditando no potencial do IP da Disney, que já operava como uma “máquina de fazer dinheiro”. Em 1967, o preço das ações se recuperou, e Buffett vendeu toda a sua participação após cerca de um ano, principalmente para financiar uma aquisição de 8 milhões de dólares na “National Indemnity”. Na época, o preço das ações subiu cerca de 55%, de 4 milhões para 6,2 milhões de dólares, mas Buffett preferiu vender, pois o fundador havia morrido, e havia incertezas na gestão e criatividade. Ele acreditava que o mercado tinha corrigido o valor, e que era hora de sair. Depois, em 1995, Buffett admitiu em carta aos acionistas: “Em 1966, comprei Disney, e em 1967, vendi. Foi um erro caro… Mas a sorte nos deu uma segunda chance: em 1995, com a aquisição da ABC pela Disney, adquirimos muitas ações da Disney, permitindo-nos participar de uma empresa com direitos de franquia incomparáveis, cuja história gera receita repetidamente, quase sem custos de estrelas.” Ele também afirmou que “Walt Disney criou não apenas uma produtora de filmes, mas uma fazenda de conteúdo perpétua.” Em 1996, Buffett declarou: “Por que vendi Disney em 1967? Porque era jovem demais, influenciado por Graham. Via apenas os ativos no balanço, sem perceber que as histórias clássicas poderiam ser relançadas a cada sete anos, gerando receita contínua. Agora, estamos de volta — não por inteligência, mas por sorte.” Ele também elogiou Mickey Mouse como seu melhor “funcionário”: nunca faz greve, não exige dividendos, e trabalha globalmente. Com o sucesso de filmes como “Guerreiros de Ébano” e “A Bela e a Fera” entre 1995 e 1997, as ações dispararam, chegando a 51,2 milhões de ações em 1998, mas depois caíram, levando Buffett a reduzir sua posição. Apesar de lucrar com essas operações, ele também perdeu oportunidades de alta subsequentes. Assim, tanto Buffett quanto Dou Yongping não entenderam completamente a Disney. Buffett investiu por 60 anos, de 1966 a 2025, e em 2023 afirmou que “não investimos na Disney devido aos altos custos de capital futuros e à imprevisibilidade do fluxo de caixa livre”. Ambos tiveram entradas e saídas, lucrando, mas sem compreender totalmente a empresa. Dou Yongping, por sua vez, admite que comprou por intuição e confiança no IP, não por uma análise detalhada da gestão. Mesmo com uma permanência de 6 anos, não obteve lucro, e, se pudesse voltar atrás, não investiria na Disney. Apesar disso, a Disney permanece uma das maiores empresas do mundo, com retorno total ajustado de aproximadamente 13.600 vezes desde seu IPO em 1957 até 2025, demonstrando sua grandiosidade e dificuldade de imitação.
Outro segredo de Buffett: como mencionei, sua primeira venda da Disney em 1967 foi motivada pela necessidade de fundos para adquirir a “National Indemnity”. Para Buffett, o retorno futuro da Disney era seu custo de oportunidade, e ele sempre afirmou que se arrepende de ter vendido. Mas, na minha visão, esse custo de oportunidade valeu a pena, pois, ao comprar a seguradora, Buffett obteve um fluxo de caixa de reserva de seguros, que o tornou o verdadeiro “Rei do Investimento”. Como disse: “A National Indemnity me ensinou que o melhor negócio é aquele em que os outros te pagam para você ganhar dinheiro.”
Em 1989, Buffett investiu US$ 358 milhões na American Airlines, acreditando que, como líder do setor, poderia manter vantagens por escala e rede de rotas, com dividendos fixos e cláusulas de resgate que ofereciam margem de segurança. Mas subestimou a brutalidade da concorrência e a rigidez dos custos. Na recessão do início dos anos 1990 e na Guerra do Golfo, o preço caiu de US$ 35 para US$ 4 em 1994. A American Airlines até não conseguiu pagar juros por dois anos, mas se recuperou em 1998, e Buffett usou cláusulas de resgate de ações preferenciais para sair, lucrando US$ 250 milhões, embora o principal motivo tenha sido a avaliação de que o valor da empresa tinha se recuperado. Em 2016, Buffett voltou a apostar forte na aviação, investindo US$ 8,8 bilhões nas quatro maiores companhias aéreas dos EUA. Com a pandemia de 2020, o setor sofreu forte impacto, com queda de preços. Buffett comprou quase 1 milhão de ações da Delta a cerca de US$ 46 por ação, mas, um mês depois, vendeu a US$ 26, e, em maio, vendeu todas as ações de American, Delta, Southwest e United, com prejuízo estimado de pelo menos 48%. A surpresa foi que, logo após a venda, as ações se recuperaram fortemente, e Buffett admitiu que subestimou o impacto do vírus. Na China, Dou Yongping também investiu na Delta, acreditando na queda do preço do petróleo e na recuperação do setor, mas, em 2008, a empresa entrou em falência após uma crise de crédito, e ele sofreu perdas severas. Isso o fez perceber que havia investido em algo que não compreendia totalmente.
Durante a pandemia de 2020, Dou Yongping, influenciado por Buffett, comprou ações da Delta com 1% do portfólio. Mas, diante da alta dívida, incerteza do modelo de negócio e volatilidade da demanda, ficou preocupado e percebeu que o setor é mais complexo do que sua capacidade de análise. Quando Buffett anunciou a saída de todas as ações aéreas, Dou também refletiu, mantendo sua postura de não investir em setores que não domina. O segredo aqui é que, em 1989, a taxa de juros da American Airlines era de 9,25%, e, mesmo com ofertas de venda de ações preferenciais por metade do preço, ninguém quis comprar, e Buffett acabou saindo com prejuízo, embora depois tenha se arrependido. Em 2016, Buffett voltou a investir no setor, pois a competição se tornou oligopolista, com lucros crescentes e fluxo de caixa estável. Mas, com a pandemia, a demanda despencou, e ele teve que vender, sofrendo perdas. A lição é que, sem entender profundamente o setor, mesmo empresas de alta qualidade podem se tornar investimentos ruins.
As razões principais para os fracassos de Buffett e Dou na aviação são: (1) falta de compreensão da essência do setor, que é capital intensivo, com altos custos fixos e baixa margem de manobra de preços, além de forte concorrência e ciclos de crescimento; (2) negligência dos riscos externos, como crises econômicas, pandemias, preços do petróleo e geopolitica, que afetam drasticamente o setor; (3) violação de suas próprias regras de investir apenas em negócios que entendem, pois o setor é complexo e incerto; (4) atração por empresas com baixa avaliação, tentando replicar estratégias de “pegar os restos”, sem perceber os problemas profundos de endividamento e competição; (5) viés cognitivo, como tentar aplicar estratégias de outros setores, sem considerar as diferenças fundamentais.
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O ânimo para investir vem da crença nos princípios de investimento.
O Buffett começou a fazer negócios e investimentos desde jovem, e após mais de uma década de esforço, aos 26 anos conseguiu fundir as duas atividades. Hoje, em 2025, aos 96 anos, ele ainda está na linha de frente dos investimentos, equilibrando luta e prazer. Apesar de, nesses 70 anos, Buffett ter conquistado uma riqueza surpreendente, quase inimaginável, ao analisarmos detalhadamente, encontramos percepções diferentes que valem a pena refletir com calma.
Taxas de retorno em diferentes fases do investimento de Buffett ao longo de 75 anos: juventude (1950-1956) cerca de 55%-60%; período de parceria privada (1956-1969) antes de deduzir taxas, aproximadamente 30%; período Berkshire Hathaway (1965-2024) 19,4%. Essas taxas compostas, quando divididas ou somadas, superam a média do índice S&P 500 no mesmo período. Sabemos que Buffett sempre usou o índice S&P 500 como referência para avaliar seu desempenho. Pode-se dizer que ele passou a vida constantemente superando esse índice. Esses retornos sustentados de longo prazo não vêm de lucros rápidos ou operações de especulação, mas do seu firme compromisso com os princípios de investimento em valor, compreensão profunda da essência dos negócios e forte controle de riscos. Especialmente na fase Berkshire Hathaway, mesmo com um volume de capital enorme, Buffett conseguiu continuar superando o mercado, o que é raro. Isso se deve à sua rigorosa seleção de vantagens competitivas (moats), qualidade da gestão e preços razoáveis, além de uma mentalidade equilibrada entre contenção na alta e ousadia na baixa do mercado. São esses fatores intangíveis que formaram um sistema de investimento difícil de ser replicado, ampliado pelo efeito dos juros compostos ao longo do tempo. Por trás dessas realizações, há também uma forte adesão à sua própria zona de competência e a uma contínua expansão dela. Buffett não busca tendências de mercado nem expande cegamente seus limites de investimento, mas foca em entender profundamente tipos de empresas em setores familiares, capturando valores subavaliados.
O investimento de Buffett é uma prática extrema do conceito de investimento em valor, aliado a uma disciplina de longo prazo, formando esse milagre de investimento de nível mundial. Quando analisamos o período Berkshire Hathaway (1965-2024), cuja taxa de 19,4% inclui uma média de 26,7% de 1965 a 2000, e uma redução para 9,4% de 2000 a 2004, podemos compará-la ao retorno composto do S&P 500 de 10,4% no mesmo período, com Buffett tendo um retorno excessivo de +9,5%. De 2010 a 2024, a taxa de retorno do Berkshire foi de 11,2%, contra 10,3% do S&P 500, com um excesso de +0,9%. Ainda assim, mesmo desmembrando esses períodos, esses retornos continuam superiores ao índice de referência. Contudo, nos últimos 24 anos, a vantagem de Buffett na superação do mercado diminuiu, fato incontestável. Além disso, na minha avaliação pessoal, os retornos de ações do Berkshire vêm do resultado operacional das empresas mais os lucros obtidos com o uso de reservas de lucros e o investimento em reservas de seguros (ou seja, negócios físicos mais investimentos em ações). Como o ROE dessas empresas geralmente é superior a 20%, minha opinião é que, nos últimos 24 anos, os ganhos de Buffett no mercado secundário de ações não superaram o índice S&P 500 (embora as empresas controladas 100% por ele tenham sido adquiridas por investimentos). Aqui, destaco que minha análise se refere especificamente a esses investimentos em ações no mercado secundário durante esse período.
Essa é a “secreta” que acredito que Buffett não revela. Sua taxa de retorno vem diminuindo, e a sua vantagem de superar o índice S&P 500 no mesmo período também está diminuindo. Mas por que isso acontece? Será que o conceito de investimento em valor de Buffett não é mais adequado à era tecnológica de hoje?
O mesmo questionamento se aplica a “China Buffett”, Dou Pan Yongping, que desde 2002 investiu na NetEase, com ganhos superiores a 100 vezes, e em 2011, na Apple, com retorno de mais de 18 vezes, e em 2013, na Moutai, com mais de 10 vezes de lucro. Nesses 24 anos, sua taxa média anual de retorno foi superior a 36%, um desempenho extraordinário, provavelmente superior ao de Buffett nesse período. Esses resultados excepcionais são dignos de estudo, e ele é alguém que gosta de compartilhar suas experiências, o que aumenta ainda mais o respeito por ele entre investidores de valor na China. Em 2025, em janeiro, ele anunciou que comprou Moutai, e em outubro, aumentou sua posição na mesma. Escrevi um artigo intitulado “Como devemos ver a compra de Moutai por Dou Pan Yongping?” comentando essa operação. Para ele, comprar Moutai é uma prática de seu conceito de investimento em valor, sem certo ou errado, especialmente para nós, leigos. Mas a questão do retorno dessas compras, a partir de agora, merece reflexão. Para Dou, sua métrica sempre foi superar a rentabilidade de depósitos bancários. Precisamos entender que esse padrão de retorno, em comparação ao índice S&P 500 de 10,4% ao ano (de 1965 a 2024), é mais baixo. Dou Yongping sempre enfatizou que seu investimento é uma atividade secundária, um hobby, e que seu objetivo é obter retorno acima da inflação e dos depósitos bancários. Sabemos que sua atividade principal é administrar empresas do grupo BBK e jogar golfe, atividades que já não requerem sua atenção constante. Para investidores comuns, se adotarmos o mesmo custo de oportunidade ou objetivo de retorno (aliás, Dou não estabelece metas de retorno para seus investimentos, o que é interessante e será tema para outro momento), podemos aceitar esse padrão como referência? Além disso, Dou Yongping, sob esse padrão, obteve quase o maior retorno anual de 20 anos que eu já vi. Se um investidor comum começar agora a copiar suas operações, será que também poderá alcançar retornos tão altos? Essa é uma das razões pelas quais alguns jovens investidores na China chamam aqueles que compram ações de bebidas alcoólicas de “Old Dou” (apelido neutro, sem conotação positiva ou negativa). Os “Old Dou” são investidores tradicionais que preferem ações de dividendos, incluindo Moutai. Em 2025, Dou Yongping comprou Moutai a 1400 yuan, e acredito que, segundo Dou, esse retorno será superior ao de depósitos bancários daqui a 10 anos. Mas também acredito que, nesse mesmo período, o retorno dessa ação não será superior ao retorno de 36% ao ano que Dou obteve em 22 anos. Mesmo considerando que, com a recuperação da economia chinesa, esse crescimento possa se recuperar, minha avaliação é que, de forma geral, não será superior ao passado. Assim, prevejo que seus retornos nos próximos 10 anos serão inferiores ao retorno de 36% ao ano que Dou conquistou em 22 anos. Mas, usando sua própria métrica de avaliação, essa previsão tem alta probabilidade de acerto.
Essa é a “secreta” que acredito que Dou Yongping não revela: por que seus retornos estão diminuindo? Porque sua vantagem de superar o índice S&P 500 no mesmo período também está diminuindo. Mas por que isso acontece? Será que o conceito de investimento em valor de Buffett não é mais adequado à era tecnológica de hoje?
O mesmo questionamento se aplica a Pan Yongping, que desde 2002 investiu na NetEase, com retorno médio anual estimado acima de 36%. Por isso, é chamado de “Buffett chinês”. Mas, para 2025, ao continuar aumentando sua posição em Moutai, acredito que seu retorno nos próximos 10 anos será inferior ao de seus 36% anuais anteriores. O motivo principal é que qualquer empresa, por mais excelente que seja, incluindo Moutai com seu modelo de negócio invencível, passa por ciclos de crescimento. Nos últimos anos, a taxa de crescimento de Moutai vem diminuindo, com previsão de 9%-10% em 2025. Com a recuperação da economia chinesa, esse crescimento pode se recuperar, mas minha avaliação é que, de forma geral, não será superior ao passado. Assim, seus retornos futuros provavelmente ficarão abaixo do retorno de 36% ao ano que Dou obteve em 22 anos. Mas, como Dou sempre usa a rentabilidade de depósitos bancários como padrão, seu “resultado” será sempre 100 pontos. Ele mesmo já afirmou várias vezes que seus investimentos são um hobby, que é preguiçoso e que conhece poucas empresas. Portanto, dentro de sua zona de competência, ele comprou a que considera a melhor, a Moutai, e acredita que o retorno será satisfatório. Para investidores comuns, esse padrão de referência é insuficiente. Mas os grandes investidores têm seus próprios critérios e circunstâncias. Como podemos aprender e praticar nossos investimentos?
“Enquanto houver imaginação no mundo, a Disney nunca estará concluída.” — Walt Disney
A primeira compra de ações da Disney por Buffett foi em 1966, 43 anos após sua fundação. Em 1923, Walt Disney e seu irmão Roy criaram a “Disney Brothers Studio” na Califórnia, inicialmente produzindo curtas de Alice para sobreviver. Em 1928, Walt Disney concebeu Mickey Mouse a bordo de um trem, e o filme “Steamboat Willie” foi o primeiro desenho animado sincronizado com som, causando grande impacto. Mickey rapidamente se tornou símbolo cultural e inaugurou a era de produtos licenciados. Em 1955, inaugurou-se o Disneyland na Califórnia, criando um novo modelo de negócios com ingressos, produtos derivados e experiências integradas. Depois, produziu o programa “Disneyland” na TV, transmitido na ABC, formando uma estratégia de mídia cruzada. Em 1966, Walt Disney faleceu, e seu irmão Roy assumiu a empresa. Na mesma época, Buffett ainda gerenciava sua parceria em Omaha, tendo feito sua primeira parceria com Munger em 30 de janeiro de 1966, e ainda não tinha comprado ações da Disney. Naquele ano, a Disney valia cerca de 80 a 90 milhões de dólares, com P/E abaixo de 10 vezes (lucros antes de impostos de 21 milhões de dólares). A maioria dos analistas via a Disney como uma “empresa de projetos”, dependente do sucesso de filmes isolados, com futuro incerto. Buffett foi ao cinema com sua filha para observar a reação das crianças aos filmes, confirmando o apelo do IP da Disney. Percebeu que filmes clássicos como “Branca de Neve” poderiam ser relançados a cada sete anos, criando um efeito de “juros compostos de conteúdo”. Depois, visitou Walt Disney (que faleceu em 15 de dezembro de 1966), e viu as novas atrações como “Piratas do Caribe”, impressionando-se com a dedicação e paixão do criador. Decidiu investir 4 milhões de dólares, adquirindo mais de 5% das ações da Disney, representando mais de 10% do patrimônio de sua parceria na época, uma posição significativa. Naquela época, a empresa tinha mais de 40 milhões de dólares em caixa líquido (quase metade do valor de mercado), e ativos intangíveis (IP, marcas) não estavam contabilizados. Para Buffett, era uma oportunidade de comprar a um preço excelente, pagando 4 centavos por 1 dólar de valor. Sua distinção de outros investidores é que ele prefere fazer pesquisas presenciais e conversar com os fundadores, ao contrário de apenas analisar números. Logo após sua compra, Walt Disney faleceu, e o mercado entrou em pânico. Mas Buffett manteve sua posição, acreditando no potencial do IP da Disney, que já operava como uma “máquina de fazer dinheiro”. Em 1967, o preço das ações se recuperou, e Buffett vendeu toda a sua participação após cerca de um ano, principalmente para financiar uma aquisição de 8 milhões de dólares na “National Indemnity”. Na época, o preço das ações subiu cerca de 55%, de 4 milhões para 6,2 milhões de dólares, mas Buffett preferiu vender, pois o fundador havia morrido, e havia incertezas na gestão e criatividade. Ele acreditava que o mercado tinha corrigido o valor, e que era hora de sair. Depois, em 1995, Buffett admitiu em carta aos acionistas: “Em 1966, comprei Disney, e em 1967, vendi. Foi um erro caro… Mas a sorte nos deu uma segunda chance: em 1995, com a aquisição da ABC pela Disney, adquirimos muitas ações da Disney, permitindo-nos participar de uma empresa com direitos de franquia incomparáveis, cuja história gera receita repetidamente, quase sem custos de estrelas.” Ele também afirmou que “Walt Disney criou não apenas uma produtora de filmes, mas uma fazenda de conteúdo perpétua.” Em 1996, Buffett declarou: “Por que vendi Disney em 1967? Porque era jovem demais, influenciado por Graham. Via apenas os ativos no balanço, sem perceber que as histórias clássicas poderiam ser relançadas a cada sete anos, gerando receita contínua. Agora, estamos de volta — não por inteligência, mas por sorte.” Ele também elogiou Mickey Mouse como seu melhor “funcionário”: nunca faz greve, não exige dividendos, e trabalha globalmente. Com o sucesso de filmes como “Guerreiros de Ébano” e “A Bela e a Fera” entre 1995 e 1997, as ações dispararam, chegando a 51,2 milhões de ações em 1998, mas depois caíram, levando Buffett a reduzir sua posição. Apesar de lucrar com essas operações, ele também perdeu oportunidades de alta subsequentes. Assim, tanto Buffett quanto Dou Yongping não entenderam completamente a Disney. Buffett investiu por 60 anos, de 1966 a 2025, e em 2023 afirmou que “não investimos na Disney devido aos altos custos de capital futuros e à imprevisibilidade do fluxo de caixa livre”. Ambos tiveram entradas e saídas, lucrando, mas sem compreender totalmente a empresa. Dou Yongping, por sua vez, admite que comprou por intuição e confiança no IP, não por uma análise detalhada da gestão. Mesmo com uma permanência de 6 anos, não obteve lucro, e, se pudesse voltar atrás, não investiria na Disney. Apesar disso, a Disney permanece uma das maiores empresas do mundo, com retorno total ajustado de aproximadamente 13.600 vezes desde seu IPO em 1957 até 2025, demonstrando sua grandiosidade e dificuldade de imitação.
Outro segredo de Buffett: como mencionei, sua primeira venda da Disney em 1967 foi motivada pela necessidade de fundos para adquirir a “National Indemnity”. Para Buffett, o retorno futuro da Disney era seu custo de oportunidade, e ele sempre afirmou que se arrepende de ter vendido. Mas, na minha visão, esse custo de oportunidade valeu a pena, pois, ao comprar a seguradora, Buffett obteve um fluxo de caixa de reserva de seguros, que o tornou o verdadeiro “Rei do Investimento”. Como disse: “A National Indemnity me ensinou que o melhor negócio é aquele em que os outros te pagam para você ganhar dinheiro.”
Em 1989, Buffett investiu US$ 358 milhões na American Airlines, acreditando que, como líder do setor, poderia manter vantagens por escala e rede de rotas, com dividendos fixos e cláusulas de resgate que ofereciam margem de segurança. Mas subestimou a brutalidade da concorrência e a rigidez dos custos. Na recessão do início dos anos 1990 e na Guerra do Golfo, o preço caiu de US$ 35 para US$ 4 em 1994. A American Airlines até não conseguiu pagar juros por dois anos, mas se recuperou em 1998, e Buffett usou cláusulas de resgate de ações preferenciais para sair, lucrando US$ 250 milhões, embora o principal motivo tenha sido a avaliação de que o valor da empresa tinha se recuperado. Em 2016, Buffett voltou a apostar forte na aviação, investindo US$ 8,8 bilhões nas quatro maiores companhias aéreas dos EUA. Com a pandemia de 2020, o setor sofreu forte impacto, com queda de preços. Buffett comprou quase 1 milhão de ações da Delta a cerca de US$ 46 por ação, mas, um mês depois, vendeu a US$ 26, e, em maio, vendeu todas as ações de American, Delta, Southwest e United, com prejuízo estimado de pelo menos 48%. A surpresa foi que, logo após a venda, as ações se recuperaram fortemente, e Buffett admitiu que subestimou o impacto do vírus. Na China, Dou Yongping também investiu na Delta, acreditando na queda do preço do petróleo e na recuperação do setor, mas, em 2008, a empresa entrou em falência após uma crise de crédito, e ele sofreu perdas severas. Isso o fez perceber que havia investido em algo que não compreendia totalmente.
Durante a pandemia de 2020, Dou Yongping, influenciado por Buffett, comprou ações da Delta com 1% do portfólio. Mas, diante da alta dívida, incerteza do modelo de negócio e volatilidade da demanda, ficou preocupado e percebeu que o setor é mais complexo do que sua capacidade de análise. Quando Buffett anunciou a saída de todas as ações aéreas, Dou também refletiu, mantendo sua postura de não investir em setores que não domina. O segredo aqui é que, em 1989, a taxa de juros da American Airlines era de 9,25%, e, mesmo com ofertas de venda de ações preferenciais por metade do preço, ninguém quis comprar, e Buffett acabou saindo com prejuízo, embora depois tenha se arrependido. Em 2016, Buffett voltou a investir no setor, pois a competição se tornou oligopolista, com lucros crescentes e fluxo de caixa estável. Mas, com a pandemia, a demanda despencou, e ele teve que vender, sofrendo perdas. A lição é que, sem entender profundamente o setor, mesmo empresas de alta qualidade podem se tornar investimentos ruins.
As razões principais para os fracassos de Buffett e Dou na aviação são: (1) falta de compreensão da essência do setor, que é capital intensivo, com altos custos fixos e baixa margem de manobra de preços, além de forte concorrência e ciclos de crescimento; (2) negligência dos riscos externos, como crises econômicas, pandemias, preços do petróleo e geopolitica, que afetam drasticamente o setor; (3) violação de suas próprias regras de investir apenas em negócios que entendem, pois o setor é complexo e incerto; (4) atração por empresas com baixa avaliação, tentando replicar estratégias de “pegar os restos”, sem perceber os problemas profundos de endividamento e competição; (5) viés cognitivo, como tentar aplicar estratégias de outros setores, sem considerar as diferenças fundamentais.
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