O dólar americano está numa encruzilhada. Desde o início do ciclo de cortes de juros no final de 2024, a principal moeda de liquidação global enfrenta um novo teste de mercado. Quando o dinheiro fica mais barato, para onde irão os fundos? O dólar vai enfraquecer continuamente ou apenas passar por uma fase de oscilações? Isso não só influencia o pulso dos mercados financeiros globais, como também afeta diretamente a alocação de ativos de cada investidor.
Por que o dólar pode enfrentar uma queda?
Cortes de juros significam menor atratividade. Quando o Federal Reserve reduz gradualmente a meta de juros para cerca de 3% (previsto até 2026), o apelo do dólar como ativo de refúgio diminui. Taxas de juros elevadas costumavam atrair fundos globais como um ímã, mas essa paisagem está mudando.
Porém, isso não é tudo. Os fatores que sustentam a queda do dólar atualmente são muito mais numerosos do que os motivos para sua valorização:
Risco de políticas comerciais mais agressivas — Os EUA preparam-se para implementar tarifas mais severas com parceiros comerciais ao redor do mundo. Isso reduzirá o comércio com os EUA, diminuindo a demanda pelo dólar e pressionando sua cotação.
Continuação da onda de desdolarização — A criação da zona do euro, o lançamento de futuros de petróleo em yuan, o crescimento das criptomoedas… Países estão buscando alternativas ao dólar para liquidação. Desde 2022, muitos países têm comprado mais ouro e menos títulos do Tesouro dos EUA, o que gera uma perda de confiança de longo prazo na moeda americana.
Moedas concorrentes cortando juros simultaneamente — Não se esqueça de um ponto crucial: as principais moedas que compõem o índice do dólar (exceto o iene) também começaram a cortar juros. Quem corta mais rápido ou mais profundamente tende a se valorizar em relação ao dólar. Se o Banco Central Europeu reduzir os juros menos do que o Federal Reserve, o euro se valorizará frente ao dólar, exercendo pressão sobre o dólar.
A lógica profunda da volatilidade cambial: quatro fatores-chave de impulso
Política de juros — o motor mais direto
Taxas de juros altas atraem fluxos de capital, taxas baixas fazem o contrário. Mas há uma armadilha: o mercado costuma antecipar esses movimentos. Não é preciso esperar o corte oficial de juros para o dólar começar a cair, nem esperar o aumento para que ele se valorize. Os investidores devem acompanhar as expectativas do Fed e o dot plot, pois o mercado é eficiente e precifica esses movimentos com antecedência.
Oferta monetária — o impulso invisível
Quantitative easing (QE) aumenta a oferta de dólares → dólar desvaloriza; Quantitative tightening (QT) reduz a oferta → dólar valoriza. Os ciclos de corte de juros em 2024-2025 são, na essência, uma continuação da política de afrouxamento monetário, diluindo ainda mais o valor do dólar.
Estrutura do comércio internacional — força invisível de longo prazo
O déficit comercial dos EUA (importações > exportações) influencia a oferta e demanda de dólares. Aumento de importações requer mais dólares, elevando a cotação; aumento de exportações faz o oposto. Mas essas mudanças geralmente se manifestam ao longo do tempo, sem oscilações abruptas no curto prazo.
Credibilidade global dos EUA — o fator mais facilmente negligenciado
O domínio do dólar se deve à confiança global nos EUA. Contudo, essa confiança está sendo corroída. A desdolarização não é apenas uma questão econômica, mas também política e de confiança. Se os EUA não conseguirem restaurar essa confiança, a liquidez do dólar ficará sob pressão por um longo período.
O que a história nos ensina?
Nos últimos 50 anos, o dólar passou por oito ciclos importantes. Alguns momentos marcantes que valem a pena lembrar:
Crise financeira de 2008: em meio ao pânico, os fundos retornaram massivamente ao dólar, fazendo o dólar subir rapidamente no curto prazo.
Pandemia de 2020: após estímulos maciços, o dólar enfraqueceu temporariamente, mas se recuperou com a retomada econômica.
Ciclo de alta de juros de 2022-2023: o Fed elevou agressivamente as taxas, levando o índice do dólar a ultrapassar 114, tornando-o a moeda mais forte do mundo.
Início do ciclo de cortes de juros em 2024-2025: o apelo do dólar diminui, com fundos migrando para ouro, criptomoedas e outros ativos alternativos.
A história mostra que o dólar não despenca de forma unidirecional. Quando há conflitos geopolíticos ou crises financeiras, o capital de refúgio costuma retornar ao dólar. Mas a tendência geral está clara: a pressão de queda do dólar é evidente, e o mais provável é que ele oscile em níveis elevados antes de se enfraquecer gradualmente, e não que caia abruptamente.
Como o movimento do dólar afeta os principais ativos?
Ouro — beneficiário da queda do dólar
A fraqueza do dólar reduz o custo de compra de ouro, aumentando sua demanda. Além disso, o corte de juros torna o ouro mais atraente em relação a outros ativos (pois o ouro não paga juros), o que é um duplo impulso para o preço do ouro.
Mercado de ações — oportunidades e riscos
A redução de juros estimula a alta das ações, especialmente de tecnologia e crescimento. Mas se o dólar enfraquecer demais, investidores estrangeiros podem migrar para Europa, Japão ou mercados emergentes, reduzindo a atratividade das ações americanas.
Criptomoedas — reavaliação de ativos anti-inflacionários
A desvalorização do dólar significa perda de poder de compra, levando investidores a buscar ativos que protejam contra a inflação. O Bitcoin, como uma “ouro digital”, tende a se valorizar em ambientes de dólar fraco.
Movimento de moedas principais
USD/JPY (dólar iene): o Japão encerrou sua política de juros ultrabaixos, o que deve levar a uma valorização do iene e uma depreciação do dólar.
TWD/USD (dólar taiwanês): a taxa de juros de Taiwan acompanha a americana, mas fatores domésticos (como controle do mercado imobiliário) limitam o corte de juros, levando a uma valorização moderada do dólar taiwanês.
EUR/USD (euro/dólar): a economia europeia está fraca, mas o euro resiste à queda. Se o Banco Central Europeu for cauteloso ao cortar juros, a pressão de depreciação do dólar será mantida.
Como os investidores podem aproveitar as oportunidades na volatilidade?
A incerteza em si é uma fonte de oportunidade. No curto prazo, cada divulgação de dados econômicos (CPI, emprego, etc.) provoca oscilações intensas no índice do dólar. Traders inteligentes podem posicionar-se antes e depois desses eventos, comprando ou vendendo as moedas correspondentes.
O foco não está em prever se o dólar vai cair, mas em identificar os momentos e o ritmo das oscilações. Durante o ciclo de cortes de juros, cada revisão das expectativas de política altera a precificação do mercado. Para quem deseja participar do mercado cambial, acompanhar os anúncios de dados e entender as direções políticas é mais prático do que apostar cegamente na tendência de alta ou baixa.
Este ciclo de ajuste do dólar é tanto um desafio quanto uma oportunidade de reestruturar carteiras de investimento. Se conseguir captar as oscilações, ao invés de ser dominado por elas, é possível obter lucros no cenário de enfraquecimento do dólar.
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O dólar enfrenta pressão de queda|Análise da tendência do dólar e oportunidades de investimento durante o ciclo de redução de juros em 2025
O dólar americano está numa encruzilhada. Desde o início do ciclo de cortes de juros no final de 2024, a principal moeda de liquidação global enfrenta um novo teste de mercado. Quando o dinheiro fica mais barato, para onde irão os fundos? O dólar vai enfraquecer continuamente ou apenas passar por uma fase de oscilações? Isso não só influencia o pulso dos mercados financeiros globais, como também afeta diretamente a alocação de ativos de cada investidor.
Por que o dólar pode enfrentar uma queda?
Cortes de juros significam menor atratividade. Quando o Federal Reserve reduz gradualmente a meta de juros para cerca de 3% (previsto até 2026), o apelo do dólar como ativo de refúgio diminui. Taxas de juros elevadas costumavam atrair fundos globais como um ímã, mas essa paisagem está mudando.
Porém, isso não é tudo. Os fatores que sustentam a queda do dólar atualmente são muito mais numerosos do que os motivos para sua valorização:
Risco de políticas comerciais mais agressivas — Os EUA preparam-se para implementar tarifas mais severas com parceiros comerciais ao redor do mundo. Isso reduzirá o comércio com os EUA, diminuindo a demanda pelo dólar e pressionando sua cotação.
Continuação da onda de desdolarização — A criação da zona do euro, o lançamento de futuros de petróleo em yuan, o crescimento das criptomoedas… Países estão buscando alternativas ao dólar para liquidação. Desde 2022, muitos países têm comprado mais ouro e menos títulos do Tesouro dos EUA, o que gera uma perda de confiança de longo prazo na moeda americana.
Moedas concorrentes cortando juros simultaneamente — Não se esqueça de um ponto crucial: as principais moedas que compõem o índice do dólar (exceto o iene) também começaram a cortar juros. Quem corta mais rápido ou mais profundamente tende a se valorizar em relação ao dólar. Se o Banco Central Europeu reduzir os juros menos do que o Federal Reserve, o euro se valorizará frente ao dólar, exercendo pressão sobre o dólar.
A lógica profunda da volatilidade cambial: quatro fatores-chave de impulso
Política de juros — o motor mais direto
Taxas de juros altas atraem fluxos de capital, taxas baixas fazem o contrário. Mas há uma armadilha: o mercado costuma antecipar esses movimentos. Não é preciso esperar o corte oficial de juros para o dólar começar a cair, nem esperar o aumento para que ele se valorize. Os investidores devem acompanhar as expectativas do Fed e o dot plot, pois o mercado é eficiente e precifica esses movimentos com antecedência.
Oferta monetária — o impulso invisível
Quantitative easing (QE) aumenta a oferta de dólares → dólar desvaloriza; Quantitative tightening (QT) reduz a oferta → dólar valoriza. Os ciclos de corte de juros em 2024-2025 são, na essência, uma continuação da política de afrouxamento monetário, diluindo ainda mais o valor do dólar.
Estrutura do comércio internacional — força invisível de longo prazo
O déficit comercial dos EUA (importações > exportações) influencia a oferta e demanda de dólares. Aumento de importações requer mais dólares, elevando a cotação; aumento de exportações faz o oposto. Mas essas mudanças geralmente se manifestam ao longo do tempo, sem oscilações abruptas no curto prazo.
Credibilidade global dos EUA — o fator mais facilmente negligenciado
O domínio do dólar se deve à confiança global nos EUA. Contudo, essa confiança está sendo corroída. A desdolarização não é apenas uma questão econômica, mas também política e de confiança. Se os EUA não conseguirem restaurar essa confiança, a liquidez do dólar ficará sob pressão por um longo período.
O que a história nos ensina?
Nos últimos 50 anos, o dólar passou por oito ciclos importantes. Alguns momentos marcantes que valem a pena lembrar:
A história mostra que o dólar não despenca de forma unidirecional. Quando há conflitos geopolíticos ou crises financeiras, o capital de refúgio costuma retornar ao dólar. Mas a tendência geral está clara: a pressão de queda do dólar é evidente, e o mais provável é que ele oscile em níveis elevados antes de se enfraquecer gradualmente, e não que caia abruptamente.
Como o movimento do dólar afeta os principais ativos?
Ouro — beneficiário da queda do dólar
A fraqueza do dólar reduz o custo de compra de ouro, aumentando sua demanda. Além disso, o corte de juros torna o ouro mais atraente em relação a outros ativos (pois o ouro não paga juros), o que é um duplo impulso para o preço do ouro.
Mercado de ações — oportunidades e riscos
A redução de juros estimula a alta das ações, especialmente de tecnologia e crescimento. Mas se o dólar enfraquecer demais, investidores estrangeiros podem migrar para Europa, Japão ou mercados emergentes, reduzindo a atratividade das ações americanas.
Criptomoedas — reavaliação de ativos anti-inflacionários
A desvalorização do dólar significa perda de poder de compra, levando investidores a buscar ativos que protejam contra a inflação. O Bitcoin, como uma “ouro digital”, tende a se valorizar em ambientes de dólar fraco.
Movimento de moedas principais
USD/JPY (dólar iene): o Japão encerrou sua política de juros ultrabaixos, o que deve levar a uma valorização do iene e uma depreciação do dólar.
TWD/USD (dólar taiwanês): a taxa de juros de Taiwan acompanha a americana, mas fatores domésticos (como controle do mercado imobiliário) limitam o corte de juros, levando a uma valorização moderada do dólar taiwanês.
EUR/USD (euro/dólar): a economia europeia está fraca, mas o euro resiste à queda. Se o Banco Central Europeu for cauteloso ao cortar juros, a pressão de depreciação do dólar será mantida.
Como os investidores podem aproveitar as oportunidades na volatilidade?
A incerteza em si é uma fonte de oportunidade. No curto prazo, cada divulgação de dados econômicos (CPI, emprego, etc.) provoca oscilações intensas no índice do dólar. Traders inteligentes podem posicionar-se antes e depois desses eventos, comprando ou vendendo as moedas correspondentes.
O foco não está em prever se o dólar vai cair, mas em identificar os momentos e o ritmo das oscilações. Durante o ciclo de cortes de juros, cada revisão das expectativas de política altera a precificação do mercado. Para quem deseja participar do mercado cambial, acompanhar os anúncios de dados e entender as direções políticas é mais prático do que apostar cegamente na tendência de alta ou baixa.
Este ciclo de ajuste do dólar é tanto um desafio quanto uma oportunidade de reestruturar carteiras de investimento. Se conseguir captar as oscilações, ao invés de ser dominado por elas, é possível obter lucros no cenário de enfraquecimento do dólar.