Por que é que agora é um momento de oportunidade para ações do setor de defesa?
Nos últimos mais de 12 meses, conflitos regionais têm sido frequentes—conflito Rússia-Ucrânia, escalada na situação no Médio Oriente, com governos de vários países a ajustarem os seus gastos em defesa. China, Taiwan e EUA estão a aumentar os gastos militares, o que não é uma coincidência, mas sim resultado de uma mudança profunda na perceção: a guerra moderna entrou na era dominada pela tecnologia.
Drones, mísseis de precisão, guerra de informação substituíram as táticas tradicionais de combate em grande escala. Países procuram usar menos recursos humanos e maior eficiência para alcançar objetivos de defesa, impulsionando diretamente a procura na indústria de defesa.
Warren Buffett disse uma vez que um bom investimento requer três elementos: neve suficiente, pista longa, e uma barreira de proteção profunda. As ações do setor de defesa cumprem precisamente esses três critérios.
Quais são as vantagens únicas das ações do setor de defesa?
Indústria de longa duração
Desde sempre, conflitos internacionais não cessaram. Isto significa que a procura por aquisições militares é sustentável, não desaparecendo com recessões económicas. Em comparação com as oscilações cíclicas na indústria de tecnologia civil, a lógica de procura por ações de defesa é mais estável.
Barreira tecnológica sólida
Empresas de defesa dominam as tecnologias mais avançadas da humanidade—muitas tecnologias civis derivam de tecnologias militares. Aviões militares, sistemas de mísseis, radares, tudo isto envolve segurança nacional, com barreiras de entrada muito elevadas. Uma vez que uma empresa ganha a confiança do governo, é difícil de ser substituída.
Além disso, contratos de defesa frequentemente envolvem patentes nacionais e acordos de fornecimento exclusivos, conferindo vantagens competitivas duradouras às principais empresas.
Impulso geopolítico para o crescimento
O mundo está a entrar numa era de política regional. Retorno da manufatura aos EUA, escalada na guerra comercial EUA-China, conflito Rússia-Ucrânia, riscos geopolíticos em Taiwan—todos estes fatores levam os países a aumentarem os seus orçamentos militares. A curto prazo, esta tendência dificilmente se inverterá.
Cuidados essenciais ao investir em ações do setor de defesa
Antes de comprar qualquer ação de defesa, o investidor deve monitorizar dois indicadores-chave:
1. Percentagem de receita proveniente de defesa
Nem todas as empresas que se autodenominam “ações de defesa” valem a pena. Algumas têm menos de 30% da receita de negócios militares, focando principalmente em produtos civis. Se essa parte for pequena, o aumento do orçamento de defesa terá impacto limitado nos lucros.
Por exemplo, a Caterpillar (CAT) é considerada uma ação de defesa, mas menos de 30% da sua receita vem de negócios militares, sendo o seu negócio principal equipamentos industriais. A FedEx já realizou transporte militar, mas essencialmente é uma empresa de logística civil. O desempenho das ações dessas empresas depende mais do investimento global em infraestruturas e do ciclo económico.
Por outro lado, a Northrop Grumman (NOC) é uma empresa puramente de defesa, sendo a maior fabricante de radares do mundo, com mais de 95% da receita proveniente de negócios militares, sendo um verdadeiro exemplo de ação de defesa para investimento.
2. Risco dos negócios civis
Muitas grandes empresas de defesa também atuam no mercado civil. Boeing e Raytheon são exemplos. A armadilha aqui é: mesmo que os pedidos militares cresçam de forma estável, a recessão ou problemas no setor civil podem arrastar o valor das ações para baixo.
Em 2023, a Boeing enfrentou essa situação. Os pedidos de aviões militares mantiveram-se estáveis, mas acidentes com o 737 MAX, a pandemia de COVID-19, e a concorrência do avião comercial chinês C919 afetaram o setor civil, levando a uma queda acentuada do valor das ações.
A Raytheon também enfrenta dificuldades semelhantes. Os pedidos militares permanecem sólidos, mas há problemas de qualidade nas peças fornecidas para o Airbus A320neo, o que obriga a re-inspeções de centenas de aviões nos próximos 3-4 anos, com custos de manutenção elevados, além de riscos de litígios, o que prejudica a rentabilidade da empresa.
3. Previsões de procura futura
Antes de investir, é importante refletir: os produtos desta empresa atendem às necessidades futuras de defesa?
Por exemplo, pedidos de armas tradicionais para o exército têm espaço limitado de crescimento, pois os tamanhos das forças terrestres não vão aumentar significativamente. Mas a modernização da força aérea e da marinha—envolvendo drones, comunicações por satélite, mísseis de precisão—são os principais focos de investimento no futuro.
Análise dos líderes do setor de defesa nos EUA
Lockheed Martin (LMT): líder com crescimento estável
A Lockheed Martin é uma das maiores empresas de defesa do mundo, com uma elevada proporção de receita de negócios militares. A empresa foca em mísseis, sistemas de mísseis, tecnologia espacial e outras áreas de ponta.
Nos gráficos históricos, a ação mostra uma tendência de crescimento estável a longo prazo, com correções de curto prazo principalmente devido a ajustes do mercado geral. Como investimento defensivo de longo prazo, a estabilidade da Lockheed Martin é digna de atenção.
Northrop Grumman (NOC): a escolha mais pura de defesa
A Northrop Grumman é a quarta maior fornecedora de armas do mundo e a maior fabricante de radares. Os negócios da empresa estão altamente concentrados na defesa, sendo uma das ações mais “puras” do setor.
A empresa apresenta lucros sólidos, com dividendos a crescerem há 18 anos consecutivos. Recentemente, acelerou um programa de recompra de ações de 500 milhões de dólares, para proteger os interesses dos acionistas. Em áreas como espaço, mísseis e comunicações, a Northrop está na liderança global, atendendo às necessidades estratégicas de dissuasão dos países.
Contanto que as grandes potências mantenham o investimento em defesa, a Northrop poderá desfrutar de crescimento estável. Sua barreira tecnológica sólida e o caráter puramente de defesa fazem dela uma escolha de investimento a longo prazo.
General Dynamics (GD): ação defensiva com fluxo de caixa estável
A General Dynamics é uma das cinco maiores fornecedoras de armas dos EUA, cobrindo forças terrestres, marítimas e aéreas. Além de produtos militares, fabrica jatos privados Gulfstream, atendendo aos clientes mais ricos do mundo.
A composição do setor de defesa (25% civis, 23% marinha, 22% segurança nacional, 18% armas, 12% serviços de missão), mas a vantagem principal é a forte resistência do setor civil às oscilações económicas. Mesmo durante a crise financeira de 2008 ou a pandemia de 2020, a empresa manteve lucros relativamente estáveis.
Essa estabilidade trouxe 32 anos consecutivos de crescimento de dividendos, uma raridade entre empresas listadas nos EUA. Apesar de o crescimento da receita não ser rápido, a empresa recompra ações anualmente, retornando valor aos acionistas através de controlo de custos e otimização de margens. Para investidores que procuram fluxo de caixa estável, a General Dynamics é uma escolha confiável.
Raytheon (RTX): cautela recomendada
A Raytheon é uma das cinco maiores fornecedoras de armas dos EUA, com negócios em sistemas de mísseis, defesa aérea, entre outros. Os pedidos militares mantêm-se estáveis, mas o desempenho das ações em 2023 foi fraco, principalmente devido a problemas no setor civil.
A empresa fornece componentes de metal em pó para o Airbus A320neo, que podem fraturar sob alta pressão. Isso obriga a uma re-inspeção de cerca de 350 aviões por ano, durante 3-4 anos, com tempos de manutenção de até 300 dias por avião. Além de impacto na receita, há riscos de litígios e perda de clientes.
Até que os problemas civis sejam resolvidos, a rentabilidade geral da empresa é difícil de prever. Os investidores não devem focar apenas na estabilidade do setor de defesa, mas também avaliar os riscos externos. Comprar neste momento requer cautela, sendo melhor esperar por uma maior claridade da situação.
Boeing (BA): comprar na baixa, não a subir
A Boeing é uma das duas maiores fabricantes de aviões comerciais nos EUA (a outra é a Airbus), além de ser uma das cinco maiores fornecedoras de armas, com aviões militares como o B52 e o Apache.
A forte queda do preço das ações deve-se principalmente ao setor civil. O 737 MAX sofreu acidentes em 2018-2019, levando à sua suspensão global, e a pandemia veio depois, causando uma queda na procura por aviões civis. Os lucros da empresa despencaram e ainda não se recuperaram totalmente.
Uma ameaça maior é a entrada de novos concorrentes. Antes, a Boeing dominava o mercado, apoiada por subsídios governamentais na Europa e nos EUA, eliminando concorrentes. Mas, com a escalada na guerra comercial, o governo chinês começou a apoiar a fabricação de aviões nacionais (C919), com potencial de conquistar fatias do mercado global no futuro.
Do ponto de vista de investimento, os pedidos militares devem manter-se em crescimento estável, mas o setor civil é incerto. As ações da Boeing são mais indicadas para comprar na baixa, não para seguir a alta.
Oportunidades de investimento em ações de defesa em Taiwan
O Estreito de Taiwan é um foco de atenção geopolítica global. Nos últimos dois anos, Taiwan e China aumentaram significativamente os seus orçamentos de defesa, criando oportunidades de crescimento para empresas locais do setor de defesa.
Thunder Tiger (8033.TW): de brinquedos a drones
A Thunder Tiger começou como uma grande fabricante de modelos controlados por rádio, principalmente brinquedos. Com o crescimento do mercado global de drones, a empresa mudou-se para o setor militar de drones, tornando-se rapidamente numa ação de conceito de defesa. Em 2022, o preço das ações subiu bastante, refletindo otimismo do mercado quanto ao seu futuro na defesa.
Com a procura por drones militares a aumentar, a Thunder Tiger merece atenção.
Hanxiang (2634.TW): negócios diversificados civis e militares
A Hanxiang tem uma estrutura de negócios semelhante à Boeing, mas com menor risco. A sua divisão civil foca em manutenção e venda de peças de aviões, enquanto a militar em treinadores de voo.
A vantagem principal é a diversificação. Mesmo que um modelo ou produto enfrente problemas, a empresa tem o mercado de manutenção como fonte de receita. À medida que a procura no setor aumenta, a manutenção também cresce, tornando as ações da Hanxiang mais estáveis do que as da Boeing ou Raytheon.
Em comparação com ações de defesa que enfrentam problemas de marca ou de modelos específicos, a estabilidade da Hanxiang é uma vantagem para os investidores.
Como avaliar se uma ação de defesa vale a pena?
Antes de investir em ações de defesa, avalie os seguintes fatores:
Saúde financeira
Verifique a dívida, fluxo de caixa e margem de lucro da empresa. Um fluxo de caixa estável é mais importante do que crescimento rápido, pois contratos de defesa geralmente são de longo prazo e pagos em parcelas.
Percentagem de receita de defesa
Para ser considerada uma ação de defesa pura, a receita de negócios militares deve representar mais de 50%. Se a proporção de negócios civis for elevada, o risco de oscilações económicas aumenta.
Barreira tecnológica
A empresa possui tecnologias difíceis de serem copiadas? Já conquistou a confiança de longo prazo do governo? Isso determina a estabilidade futura dos pedidos.
Perspetivas do negócio civil
Se a empresa atua também no setor civil, avalie se esse setor enfrenta novos concorrentes, riscos de produto ou mercado saturado.
Sensibilidade geopolítica
O país onde a empresa está localizado enfrenta ameaças militares? Os orçamentos militares do mercado-alvo continuam a aumentar?
Resumo
Ações do setor de defesa são, por essência, investimentos defensivos e estáveis a longo prazo. A procura de mercado é estável, o risco de falência das empresas é baixo (o governo não permitirá que os principais fornecedores de armas quebrem), e as barreiras de entrada são altas. Mas isso aplica-se apenas a empresas “puramente” de defesa.
Ao investir, é fundamental avaliar: percentagem de receita de defesa, risco dos negócios civis, e liderança tecnológica. As lições da Raytheon e Boeing mostram que o crescimento de pedidos militares não garante a subida das ações, e problemas no setor civil ou de qualidade podem anular todos os lucros de defesa.
Optar por empresas como Northrop Grumman ou Lockheed Martin, que são puramente de defesa, ou empresas diversificadas como a Hanxiang, com forte resistência ao risco, é a decisão de investimento mais inteligente. A escalada geopolítica a longo prazo garante espaço para crescimento dessas empresas—mas só se escolher os ativos certos.
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As ações de armas valem a pena? Guia de investimento em ações do setor de defesa sob a crise geopolítica global
Por que é que agora é um momento de oportunidade para ações do setor de defesa?
Nos últimos mais de 12 meses, conflitos regionais têm sido frequentes—conflito Rússia-Ucrânia, escalada na situação no Médio Oriente, com governos de vários países a ajustarem os seus gastos em defesa. China, Taiwan e EUA estão a aumentar os gastos militares, o que não é uma coincidência, mas sim resultado de uma mudança profunda na perceção: a guerra moderna entrou na era dominada pela tecnologia.
Drones, mísseis de precisão, guerra de informação substituíram as táticas tradicionais de combate em grande escala. Países procuram usar menos recursos humanos e maior eficiência para alcançar objetivos de defesa, impulsionando diretamente a procura na indústria de defesa.
Warren Buffett disse uma vez que um bom investimento requer três elementos: neve suficiente, pista longa, e uma barreira de proteção profunda. As ações do setor de defesa cumprem precisamente esses três critérios.
Quais são as vantagens únicas das ações do setor de defesa?
Indústria de longa duração
Desde sempre, conflitos internacionais não cessaram. Isto significa que a procura por aquisições militares é sustentável, não desaparecendo com recessões económicas. Em comparação com as oscilações cíclicas na indústria de tecnologia civil, a lógica de procura por ações de defesa é mais estável.
Barreira tecnológica sólida
Empresas de defesa dominam as tecnologias mais avançadas da humanidade—muitas tecnologias civis derivam de tecnologias militares. Aviões militares, sistemas de mísseis, radares, tudo isto envolve segurança nacional, com barreiras de entrada muito elevadas. Uma vez que uma empresa ganha a confiança do governo, é difícil de ser substituída.
Além disso, contratos de defesa frequentemente envolvem patentes nacionais e acordos de fornecimento exclusivos, conferindo vantagens competitivas duradouras às principais empresas.
Impulso geopolítico para o crescimento
O mundo está a entrar numa era de política regional. Retorno da manufatura aos EUA, escalada na guerra comercial EUA-China, conflito Rússia-Ucrânia, riscos geopolíticos em Taiwan—todos estes fatores levam os países a aumentarem os seus orçamentos militares. A curto prazo, esta tendência dificilmente se inverterá.
Cuidados essenciais ao investir em ações do setor de defesa
Antes de comprar qualquer ação de defesa, o investidor deve monitorizar dois indicadores-chave:
1. Percentagem de receita proveniente de defesa
Nem todas as empresas que se autodenominam “ações de defesa” valem a pena. Algumas têm menos de 30% da receita de negócios militares, focando principalmente em produtos civis. Se essa parte for pequena, o aumento do orçamento de defesa terá impacto limitado nos lucros.
Por exemplo, a Caterpillar (CAT) é considerada uma ação de defesa, mas menos de 30% da sua receita vem de negócios militares, sendo o seu negócio principal equipamentos industriais. A FedEx já realizou transporte militar, mas essencialmente é uma empresa de logística civil. O desempenho das ações dessas empresas depende mais do investimento global em infraestruturas e do ciclo económico.
Por outro lado, a Northrop Grumman (NOC) é uma empresa puramente de defesa, sendo a maior fabricante de radares do mundo, com mais de 95% da receita proveniente de negócios militares, sendo um verdadeiro exemplo de ação de defesa para investimento.
2. Risco dos negócios civis
Muitas grandes empresas de defesa também atuam no mercado civil. Boeing e Raytheon são exemplos. A armadilha aqui é: mesmo que os pedidos militares cresçam de forma estável, a recessão ou problemas no setor civil podem arrastar o valor das ações para baixo.
Em 2023, a Boeing enfrentou essa situação. Os pedidos de aviões militares mantiveram-se estáveis, mas acidentes com o 737 MAX, a pandemia de COVID-19, e a concorrência do avião comercial chinês C919 afetaram o setor civil, levando a uma queda acentuada do valor das ações.
A Raytheon também enfrenta dificuldades semelhantes. Os pedidos militares permanecem sólidos, mas há problemas de qualidade nas peças fornecidas para o Airbus A320neo, o que obriga a re-inspeções de centenas de aviões nos próximos 3-4 anos, com custos de manutenção elevados, além de riscos de litígios, o que prejudica a rentabilidade da empresa.
3. Previsões de procura futura
Antes de investir, é importante refletir: os produtos desta empresa atendem às necessidades futuras de defesa?
Por exemplo, pedidos de armas tradicionais para o exército têm espaço limitado de crescimento, pois os tamanhos das forças terrestres não vão aumentar significativamente. Mas a modernização da força aérea e da marinha—envolvendo drones, comunicações por satélite, mísseis de precisão—são os principais focos de investimento no futuro.
Análise dos líderes do setor de defesa nos EUA
Lockheed Martin (LMT): líder com crescimento estável
A Lockheed Martin é uma das maiores empresas de defesa do mundo, com uma elevada proporção de receita de negócios militares. A empresa foca em mísseis, sistemas de mísseis, tecnologia espacial e outras áreas de ponta.
Nos gráficos históricos, a ação mostra uma tendência de crescimento estável a longo prazo, com correções de curto prazo principalmente devido a ajustes do mercado geral. Como investimento defensivo de longo prazo, a estabilidade da Lockheed Martin é digna de atenção.
Northrop Grumman (NOC): a escolha mais pura de defesa
A Northrop Grumman é a quarta maior fornecedora de armas do mundo e a maior fabricante de radares. Os negócios da empresa estão altamente concentrados na defesa, sendo uma das ações mais “puras” do setor.
A empresa apresenta lucros sólidos, com dividendos a crescerem há 18 anos consecutivos. Recentemente, acelerou um programa de recompra de ações de 500 milhões de dólares, para proteger os interesses dos acionistas. Em áreas como espaço, mísseis e comunicações, a Northrop está na liderança global, atendendo às necessidades estratégicas de dissuasão dos países.
Contanto que as grandes potências mantenham o investimento em defesa, a Northrop poderá desfrutar de crescimento estável. Sua barreira tecnológica sólida e o caráter puramente de defesa fazem dela uma escolha de investimento a longo prazo.
General Dynamics (GD): ação defensiva com fluxo de caixa estável
A General Dynamics é uma das cinco maiores fornecedoras de armas dos EUA, cobrindo forças terrestres, marítimas e aéreas. Além de produtos militares, fabrica jatos privados Gulfstream, atendendo aos clientes mais ricos do mundo.
A composição do setor de defesa (25% civis, 23% marinha, 22% segurança nacional, 18% armas, 12% serviços de missão), mas a vantagem principal é a forte resistência do setor civil às oscilações económicas. Mesmo durante a crise financeira de 2008 ou a pandemia de 2020, a empresa manteve lucros relativamente estáveis.
Essa estabilidade trouxe 32 anos consecutivos de crescimento de dividendos, uma raridade entre empresas listadas nos EUA. Apesar de o crescimento da receita não ser rápido, a empresa recompra ações anualmente, retornando valor aos acionistas através de controlo de custos e otimização de margens. Para investidores que procuram fluxo de caixa estável, a General Dynamics é uma escolha confiável.
Raytheon (RTX): cautela recomendada
A Raytheon é uma das cinco maiores fornecedoras de armas dos EUA, com negócios em sistemas de mísseis, defesa aérea, entre outros. Os pedidos militares mantêm-se estáveis, mas o desempenho das ações em 2023 foi fraco, principalmente devido a problemas no setor civil.
A empresa fornece componentes de metal em pó para o Airbus A320neo, que podem fraturar sob alta pressão. Isso obriga a uma re-inspeção de cerca de 350 aviões por ano, durante 3-4 anos, com tempos de manutenção de até 300 dias por avião. Além de impacto na receita, há riscos de litígios e perda de clientes.
Até que os problemas civis sejam resolvidos, a rentabilidade geral da empresa é difícil de prever. Os investidores não devem focar apenas na estabilidade do setor de defesa, mas também avaliar os riscos externos. Comprar neste momento requer cautela, sendo melhor esperar por uma maior claridade da situação.
Boeing (BA): comprar na baixa, não a subir
A Boeing é uma das duas maiores fabricantes de aviões comerciais nos EUA (a outra é a Airbus), além de ser uma das cinco maiores fornecedoras de armas, com aviões militares como o B52 e o Apache.
A forte queda do preço das ações deve-se principalmente ao setor civil. O 737 MAX sofreu acidentes em 2018-2019, levando à sua suspensão global, e a pandemia veio depois, causando uma queda na procura por aviões civis. Os lucros da empresa despencaram e ainda não se recuperaram totalmente.
Uma ameaça maior é a entrada de novos concorrentes. Antes, a Boeing dominava o mercado, apoiada por subsídios governamentais na Europa e nos EUA, eliminando concorrentes. Mas, com a escalada na guerra comercial, o governo chinês começou a apoiar a fabricação de aviões nacionais (C919), com potencial de conquistar fatias do mercado global no futuro.
Do ponto de vista de investimento, os pedidos militares devem manter-se em crescimento estável, mas o setor civil é incerto. As ações da Boeing são mais indicadas para comprar na baixa, não para seguir a alta.
Oportunidades de investimento em ações de defesa em Taiwan
O Estreito de Taiwan é um foco de atenção geopolítica global. Nos últimos dois anos, Taiwan e China aumentaram significativamente os seus orçamentos de defesa, criando oportunidades de crescimento para empresas locais do setor de defesa.
Thunder Tiger (8033.TW): de brinquedos a drones
A Thunder Tiger começou como uma grande fabricante de modelos controlados por rádio, principalmente brinquedos. Com o crescimento do mercado global de drones, a empresa mudou-se para o setor militar de drones, tornando-se rapidamente numa ação de conceito de defesa. Em 2022, o preço das ações subiu bastante, refletindo otimismo do mercado quanto ao seu futuro na defesa.
Com a procura por drones militares a aumentar, a Thunder Tiger merece atenção.
Hanxiang (2634.TW): negócios diversificados civis e militares
A Hanxiang tem uma estrutura de negócios semelhante à Boeing, mas com menor risco. A sua divisão civil foca em manutenção e venda de peças de aviões, enquanto a militar em treinadores de voo.
A vantagem principal é a diversificação. Mesmo que um modelo ou produto enfrente problemas, a empresa tem o mercado de manutenção como fonte de receita. À medida que a procura no setor aumenta, a manutenção também cresce, tornando as ações da Hanxiang mais estáveis do que as da Boeing ou Raytheon.
Em comparação com ações de defesa que enfrentam problemas de marca ou de modelos específicos, a estabilidade da Hanxiang é uma vantagem para os investidores.
Como avaliar se uma ação de defesa vale a pena?
Antes de investir em ações de defesa, avalie os seguintes fatores:
Saúde financeira
Verifique a dívida, fluxo de caixa e margem de lucro da empresa. Um fluxo de caixa estável é mais importante do que crescimento rápido, pois contratos de defesa geralmente são de longo prazo e pagos em parcelas.
Percentagem de receita de defesa
Para ser considerada uma ação de defesa pura, a receita de negócios militares deve representar mais de 50%. Se a proporção de negócios civis for elevada, o risco de oscilações económicas aumenta.
Barreira tecnológica
A empresa possui tecnologias difíceis de serem copiadas? Já conquistou a confiança de longo prazo do governo? Isso determina a estabilidade futura dos pedidos.
Perspetivas do negócio civil
Se a empresa atua também no setor civil, avalie se esse setor enfrenta novos concorrentes, riscos de produto ou mercado saturado.
Sensibilidade geopolítica
O país onde a empresa está localizado enfrenta ameaças militares? Os orçamentos militares do mercado-alvo continuam a aumentar?
Resumo
Ações do setor de defesa são, por essência, investimentos defensivos e estáveis a longo prazo. A procura de mercado é estável, o risco de falência das empresas é baixo (o governo não permitirá que os principais fornecedores de armas quebrem), e as barreiras de entrada são altas. Mas isso aplica-se apenas a empresas “puramente” de defesa.
Ao investir, é fundamental avaliar: percentagem de receita de defesa, risco dos negócios civis, e liderança tecnológica. As lições da Raytheon e Boeing mostram que o crescimento de pedidos militares não garante a subida das ações, e problemas no setor civil ou de qualidade podem anular todos os lucros de defesa.
Optar por empresas como Northrop Grumman ou Lockheed Martin, que são puramente de defesa, ou empresas diversificadas como a Hanxiang, com forte resistência ao risco, é a decisão de investimento mais inteligente. A escalada geopolítica a longo prazo garante espaço para crescimento dessas empresas—mas só se escolher os ativos certos.