SEC anuncia o fim da regulamentação de fiscalização, o novo quadro de classificação de tokens redefine a nova ordem de conformidade com criptomoedas

27 de abril de 2026, Las Vegas Venetian Hotel, o presidente da SEC Paul Atkins subiu ao palco principal do Congresso Bitcoin 2026 no Nakamoto Stage — esta foi a primeira vez na história da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA que um presidente em exercício participou de uma grande conferência da indústria de Bitcoin. Atkins definiu sua aparição como “um novo dia para a SEC”. Em seu discurso, ele resumiu a trajetória regulatória da SEC nos últimos dez anos em duas fases: inicialmente como um “avestruz com a cabeça na areia”, evitando deliberadamente a indústria; depois, passando a “fazer aplicação da lei em vez de regulamentos”, lançando uma ofensiva de ações judiciais contra o setor de criptomoedas. Ele deixou claro que ambas as fases chegaram ao fim, e que a SEC abraçará a inovação em ativos digitais, empenhada em reter empresas domésticas americanas.

Essa declaração não é uma mera retórica diplomática isolada, mas se baseia em uma série de ajustes institucionais substantivos. Já em fevereiro de 2025, a SEC começou a retirar ações de fiscalização relacionadas a criptomoedas. Em 17 de março de 2026, a SEC e a CFTC publicaram conjuntamente um guia interpretativo de 68 páginas, mudando de uma abordagem de “prioridade na aplicação da lei” para “regulação por regras”. Atkins resumiu a nova estratégia regulatória como a estratégia A-C-T (Avançar, Clarificar, Transformar), com o objetivo de aliviar a carga regulatória e oferecer previsibilidade de conformidade. Essa mudança de paradigma regulatório está, fundamentalmente, reformulando a lógica subjacente ao mercado de ativos digitais nos EUA.

Como os dados de fiscalização da SEC mudaram sob a gestão de Atkins

A redução na intensidade de fiscalização é o indicador mais quantificável de uma mudança de paradigma regulatório nos EUA. Segundo o relatório de fiscalização de 2025, divulgado pela SEC em 7 de abril de 2026, foram iniciadas 456 ações de fiscalização ao longo do ano fiscal, uma redução de cerca de 30% em relação a 2024. O montante de restituições financeiras caiu de US$ 8,2 bilhões na temporada anterior para US$ 2,7 bilhões. No âmbito de ativos digitais, a queda nas ações de fiscalização foi ainda mais acentuada. Na temporada fiscal de 2025, a SEC iniciou apenas 13 ações relacionadas a criptomoedas, uma redução de aproximadamente 60% em relação ao período de Gensler. O valor total de multas caiu para US$ 142 milhões, menos de 3% do nível de 2024.

A própria SEC também refletiu sobre sua trajetória de fiscalização anterior. Em abril de 2026, a SEC, em seu relatório de fiscalização, admitiu pela primeira vez que várias ações de registro de criptomoedas envolveram “uma leitura equivocada da lei federal de valores mobiliários”, apontando que cerca de 95 empresas relacionadas enfrentaram multas acumuladas de até US$ 2,3 bilhões, mas que esses casos “não trouxeram benefícios substantivos aos investidores”. Desde fevereiro de 2025, a SEC vem cancelando progressivamente 7 ações de fiscalização relacionadas a criptomoedas, envolvendo Binance, Coinbase, Kraken, Consensys e outras instituições. O departamento de fiscalização da SEC deixou claro que, no futuro, a prioridade será reduzir o número de casos e focar em combater fraudes e manipulação de mercado, que causam os maiores danos aos investidores. Essa queda drástica nos dados de fiscalização constitui uma evidência direta da mudança de paradigma regulatório.

Como o quadro de classificação de cinco categorias de ativos digitais define a identidade jurídica dos tokens

Em 17 de março de 2026, a SEC e a CFTC publicaram conjuntamente um guia interpretativo de 68 páginas, estabelecendo formalmente uma estrutura de classificação de ativos digitais a nível federal. O documento divide os ativos digitais em cinco categorias principais, das quais quatro são explicitamente consideradas como não valores mobiliários sob a definição da lei federal de valores mobiliários. Essas categorias são: bens digitais, colecionáveis digitais, ferramentas digitais, stablecoins e valores mobiliários digitais. Apenas os valores mobiliários digitais estão sob a jurisdição total da SEC.

Especificamente, o valor de bens digitais deriva do funcionamento programático do sistema de criptografia subjacente e da oferta e demanda do mercado, e não de expectativas de lucro baseadas em esforços de gestão do projeto — a SEC lista 16 ativos que se enquadram nesta categoria, incluindo Bitcoin e Ethereum. Colecionáveis digitais e ferramentas digitais também não são considerados valores mobiliários, incluindo NFTs, moedas meme, tokens de associação, ingressos digitais, credenciais de identidade, todos isentos de regulamentação. Stablecoins de pagamento, quando em conformidade com a Lei GENIUS, também são consideradas não valores mobiliários, mas stablecoins com características de dividendos, compartilhamento de lucros ou pools de fundos ainda precisam ser avaliadas caso a caso.

É importante destacar que a SEC não tenta redefinir os princípios do teste Howey, mas delimita a fronteira regulatória entre valores mobiliários ao distinguir entre “ativos” e “transações”. Os tokens em si não são valores mobiliários; o que constitui um contrato de investimento são as promessas feitas pelo projeto em contextos específicos de transação. Essa interpretação jurídica detalhada fornece uma base institucional inédita para a conformidade na emissão de tokens.

Como o quadro de classificação conjunta impacta a conformidade na emissão de tokens

A criação dessas cinco categorias põe fim a uma “zona cinzenta” regulatória que durou mais de uma década nos EUA. Anteriormente, a SEC tendia a classificar os ativos digitais como valores mobiliários, ignorando sua natureza como ferramentas tecnológicas; agora, o núcleo da lógica regulatória passa a avaliar as promessas do projeto e sua substância econômica.

Para os emissores, essa nova estrutura traz duas rotas claras de conformidade: se o token puder ser classificado como bem digital, colecionável digital, ferramenta digital ou stablecoin qualificada, ele não será considerado um valor mobiliário, dispensando registro na SEC; se o token envolver expectativas de lucro baseadas em esforços de gestão do projeto, será considerado um valor mobiliário digital, devendo seguir o regime de registro da SEC. Essa abordagem binária reduz significativamente a incerteza na avaliação de conformidade.

Além disso, a SEC exclui explicitamente operações de mineração de protocolo, staking de protocolo, “embalagens” de ativos não valores mobiliários e airdrops de serem considerados emissões de valores mobiliários. Essas operações predominantes no setor não enfrentam mais riscos de fiscalização, oferecendo uma proteção jurídica para projetos descentralizados operarem dentro do quadro regulatório. Ao mesmo tempo, a SEC propôs uma “zona de refúgio”, planejando criar canais de financiamento conformes para projetos de criptomoedas em estágio inicial, reduzindo a barreira à inovação enquanto mantém a proteção ao investidor. Essa combinação de políticas está transformando o sistema regulatório de criptomoedas nos EUA de uma abordagem de “responsabilização ex post” para uma de “regulação por regras”.

Como o mecanismo de isenção de inovação pode liberar espaço de conformidade para os participantes do mercado

Além do quadro de fiscalização e classificação, Atkins destacou na conferência Bitcoin o mecanismo de “isenção de inovação”. Esse mecanismo permite que projetos de criptomoedas elegíveis testem novos produtos e serviços durante um período de transição de 12 a 36 meses, sem precisar cumprir requisitos complexos de registro de valores mobiliários. Diferentemente de isenções informais de “não tomar providências”, essa abordagem estabelece parâmetros claros de conformidade, oferecendo um caminho previsível para inovação.

Para instituições financeiras tradicionais e empresas de criptomoedas, isso significa que tokens de valores mobiliários tokenizados podem ser emitidos e negociados em plataformas reguladas sob a supervisão da SEC. A SEC planeja permitir, nas próximas semanas, que empresas testem na prática a tokenização de ativos e instrumentos de securitização em ambientes regulados. Atkins também enfatizou que a SEC e a CFTC assinaram um memorando de entendimento de cooperação regulatória, encerrando um histórico de falta de coordenação entre as duas agências. Essa colaboração institucional deve resolver os problemas de conformidade causados por ambiguidades de jurisdição, facilitando o desenvolvimento de mercados de derivativos de criptomoedas.

Como a mudança regulatória nos EUA afetará o mercado global de criptomoedas e o fluxo de capitais institucionais

A mudança de paradigma regulatório nos EUA está tendo um impacto estrutural no fluxo global de capitais de criptomoedas. Segundo dados do Gate, até 28 de abril de 2026, o preço do Bitcoin estava em torno de US$ 76.793,2, com uma capitalização de mercado de aproximadamente US$ 1,49 trilhão, representando cerca de 56,37% do mercado. A fala de Atkins reforçou ainda mais a confiança do mercado.

Mais importante, essa mudança regulatória fornece um sinal claro de entrada para capitais institucionais que estavam em espera. Quando “a SEC deixa de ser o ‘Comitê de Valores Mobiliários para Tudo’”, a lógica de alocação de ativos das instituições tradicionais também muda. A negociação de bens digitais passa a ser regulada pela CFTC, stablecoins sob a Lei GENIUS tornam-se instrumentos de liquidação legítimos, e protocolos DeFi evoluem para substitutos reconhecidos de bancos de sombra. A revisão da rota regulatória da SEC está impulsionando a construção institucional do mercado de ativos digitais nos EUA, enquanto outros principais países também acompanham de perto a experiência e o desenho institucional dessa mudança.

Conclusão

De uma política de avestruz a uma fiscalização agressiva, até uma reestruturação completa com regras por precedentes — a transformação do paradigma regulatório da SEC nos últimos doze meses marca uma nova fase na supervisão de ativos digitais nos EUA. As cinco categorias principais de ativos digitais clarificam a não classificação de Bitcoin, Ethereum e outros criptoativos como valores mobiliários, oferecendo caminhos claros de conformidade para emissão de tokens, aliados ao mecanismo de isenção de inovação que legitima experimentos na cadeia. A queda expressiva nos dados de fiscalização, a consolidação de coordenação interinstitucional e a legislação de estrutura de mercado compõem o quadro completo dessa mudança. O “espaço cinzento” regulatório dos EUA está sendo preenchido ponto a ponto, e o mercado global de criptomoedas se prepara para uma nova era de conformidade mais previsível.

Perguntas frequentes

Pergunta: Quais ativos digitais são considerados bens digitais e não valores mobiliários na nova classificação da SEC?

Segundo o guia de classificação conjunto de 17 de março de 2026, ativos digitais que têm valor derivado do funcionamento programático do sistema de criptografia e da oferta e demanda do mercado, e não de expectativas de lucro baseadas em esforços de gestão, são considerados bens digitais. A SEC lista 16 ativos que se enquadram nesta categoria, incluindo Bitcoin, Ethereum, Solana, XRP, Cardano, Avalanche, Polkadot, Chainlink, Dogecoin, entre outros principais criptoativos.

Pergunta: O que a “isenção de inovação” da SEC significa para projetos de criptomoedas?

A “isenção de inovação” oferece a projetos elegíveis um período de transição de 12 a 36 meses para testar novos produtos e serviços, como tokens de valores mobiliários tokenizados, sem a necessidade de cumprir requisitos complexos de registro. Essa abordagem visa reduzir barreiras à inovação, acumular experiência regulatória e fundamentar futuras regras de conformidade específicas ao setor de criptomoedas.

Pergunta: Como a SEC e a CFTC dividem suas jurisdições sobre ativos digitais?

O novo quadro de classificação define claramente os limites de jurisdição: bens digitais como Bitcoin e Ethereum ficam sob a supervisão da CFTC como commodities; valores mobiliários digitais sob a jurisdição da SEC. Além disso, as duas agências assinaram um memorando de entendimento de cooperação, coordenando a classificação e regulamentação de tokens para resolver ambiguidades anteriores e facilitar a conformidade.

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