O que tem acontecido nos últimos meses ao redor das stablecoins realmente chama a atenção. Embora o Bitcoin e o restante do mercado de criptomoedas estejam apáticos, cada grande player está focado em lançar stablecoins em várias moedas. Não apenas dólares — francos suíços, ienes japoneses, libras esterlinas. Nos últimos meses, vimos uma iniciativa conjunta na Alemanha lançando uma token baseada no franco suíço, empresas japonesas trazendo versões em iene, e Hong Kong anunciando o início da concessão de licenças para stablecoins em março.



Mas a maior notícia? O plano do Meta, de Mark Zuckerberg, de retomar as capacidades de pagamento baseadas em stablecoin ainda neste segundo semestre do ano. Este é um momento interessante, pois o Meta já tentou com o Libra, que posteriormente evoluiu para o Diem, mas enfrentou forte resistência regulatória.

Mas o que há de diferente agora? Cristián Catalini, co-criador do Libra, que atualmente é professor no MIT e fundador do MIT CryptoEconomics Lab, deixou isso claro. Segundo ele, as stablecoins estão agora saindo do foco — sendo fornecidas por diversos provedores e se tornando parte da infraestrutura de pagamento. Não são mais produtos de marca, mas sim commodities.

Catalini afirmou que gigantes tecnológicos como Google e Apple usarão múltiplos provedores de stablecoins — assim como fazem com o processamento de pagamentos. Olhando para maio, essa tendência deve se fortalecer ainda mais. O mercado está se tornando uma paisagem decommoditizada, com maturidade.

Andy Ston, vice-presidente do departamento de comunicação do Meta, confirmou isso — essa iniciativa é apenas sobre dar aos usuários e empresas a capacidade de usar seus métodos de pagamento preferidos. A verdadeira vantagem competitiva agora está na distribuição — quem mantém uma relação direta com o usuário final é quem captura mais valor.

O Meta controla cerca de 3,6 bilhões de usuários através do Facebook, WhatsApp e Instagram. Isso é uma vantagem enorme. Essa mudança de foco para comunicação e alcance representa uma mudança significativa — uma saída do fornecimento de stablecoins baseado em carteiras, ou do antigo modelo de fiat para cripto e vice-versa.

Já estamos vendo empresas retirando seus investimentos em empresas de orquestração de stablecoins. Isso é uma notícia positiva para redes de cartões, fintechs, neobancos e empresas de carteiras — aquelas que se conectam diretamente com o usuário final.

Stripe, parceiro de pagamento de longo prazo do Meta, é um jogador interessante aqui. Seu CEO, Patrick Collison, entrou no conselho do Meta há um ano. No ano passado, a Stripe adquiriu a especialista em stablecoins, Bridge, por 1,1 bilhão de dólares, e criou sua própria blockchain chamada Tempo. Mas Catalini levantou uma questão — outros grandes provedores de pagamento vão querer construir na rede da Stripe? Provavelmente não. Isso volta ao verdadeiro desafio de criar uma rede aberta e neutra — o propósito fundamental do crypto. Mas, na prática, isso é difícil, a menos que você esteja construindo sobre algo já estabelecido, como Ethereum, Bitcoin ou Solana.
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