Recentemente, percebi que o ritmo de compra de ouro na China claramente acelerou. De acordo com o último anúncio do Banco Popular da China, até o final de março, as reservas de ouro do país atingiram 74,38 milhões de onças, continuando um aumento por 17 meses consecutivos. Especialmente no mês de março, houve um aumento de 160 mil onças em relação ao mês anterior, ou seja, cerca de 5 toneladas. Em comparação com o ritmo moderado de 1 a 2 toneladas por mês anteriormente, isso representa uma aceleração considerável.



O que é interessante é o padrão de mudança nesse ritmo. Após a retomada em novembro de 2024, a China seguiu um fluxo de compras rápidas, seguido por uma desaceleração gradual e, recentemente, uma nova aceleração. No final de 2024, o aumento mensal chegou a até 10 toneladas, mas depois estabilizou na faixa de 1 a 2 toneladas, voltando a cerca de 5 toneladas em março. Isso significa que o banco central não parou de comprar ouro, ajustando o ritmo de acordo com o ambiente de mercado de forma flexível.

A queda abrupta no preço do ouro em março foi motivada pelo conflito entre os Estados Unidos e o Irã. Devido à pressão de liquidez, o preço caiu 12% em um único mês, a maior queda desde 2008. O que aconteceu nesse cenário? Alguns bancos centrais de mercados emergentes, como Turquia, Polônia e países produtores de petróleo do Golfo, venderam ouro temporariamente. Por exemplo, o Banco Central da Turquia utilizou cerca de 60 toneladas de reservas de ouro, ou aproximadamente 8 bilhões de dólares, nas duas semanas após o início da guerra, para estabilizar a taxa de câmbio. No entanto, vejo isso como uma venda tática, não uma mudança de política estratégica.

Por outro lado, países com menor impacto, como República Tcheca e Uzbequistão, aproveitaram essa queda como oportunidade de compra, aumentando suas reservas de ouro e mantendo uma postura de comprador líquido. Embora o volume de compras seja limitado. Além disso, março e abril costumam ser períodos de menor compra de ouro pelos bancos centrais mundiais devido à sazonalidade, e considerando a alta dos preços anteriores e o aumento da volatilidade atual, o ritmo de compra global está, temporariamente, desacelerando.

Outro ponto importante é que os dados oficiais de compra de ouro da China representam apenas uma pequena parte da demanda real. Comparando os dados de exportação líquida de ouro do Reino Unido com as variações nos cofres de Londres, podemos ver que cerca de dois terços das compras reais de ouro pelos bancos centrais mundiais não são divulgadas publicamente. Ou seja, há uma forte possibilidade de que compras invisíveis estejam sustentando o mercado. A demanda total de ouro na China ainda não é totalmente visível. Mesmo com o conflito entre os EUA e o Irã, a lógica de alta de longo prazo para o ouro permanece sólida, como esses dados também indicam.
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