OCC publica estrutura regulatória para stablecoins, cláusulas de limitação de rendimentos geram divergências no setor

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Os reguladores financeiros dos Estados Unidos, o OCC (Office of the Comptroller of the Currency), divulgaram recentemente uma proposta de quadro regulatório para stablecoins baseada na Lei GENIUS. Este documento regulatório, que abrange várias áreas, tornou-se imediatamente um foco de atenção na indústria. A proposta contém 378 páginas de regulamentações detalhadas, incluindo cláusulas sobre distribuição de lucros que geraram amplo debate na indústria de criptomoedas devido à sua redação ambígua.

Pontos-chave do novo quadro regulatório

Esta proposta do OCC representa a primeira conversão importante da Lei GENIUS, que foi legislada em 2025, para regras de implementação específicas. Segundo o desenho geral do quadro regulatório, o OCC elaborou um sistema completo que cobre desde controle de custódia de ativos, requisitos de capital até outras regras financeiras convencionais. A maioria da indústria considera que a maior parte do conteúdo da proposta é relativamente clara, mas a redação relacionada à distribuição de lucros apresenta ambiguidades, que se tornaram o principal foco de controvérsia futura.

Este quadro regulatório marca um avanço importante na criação de um sistema federal de regulação para stablecoins nos EUA, embora sua interpretação possa ainda ser ajustada posteriormente, deixando espaço para futuras modificações.

Conteúdo específico e controvérsia sobre limites de lucros

A parte mais controversa da proposta envolve como os emissores de stablecoins e seus parceiros podem oferecer lucros aos detentores. Segundo a recomendação do OCC, emissores licenciados de stablecoins de pagamento estão expressamente proibidos de pagar juros ou lucros aos detentores, seja em dinheiro, tokens ou outras recompensas, independentemente de esses lucros serem gerados apenas pelo fato de manter a stablecoin.

O OCC deixou claro na proposta que os emissores podem tentar contornar essa restrição por meio de acordos com terceiros. O quadro regulatório lista possíveis formas de arranjos com terceiros, mas também reconhece que “não é possível listar previamente todas as possíveis formas de cooperação”. Para isso, o OCC estabeleceu uma regra presumida: se existir um acordo relevante e o terceiro for considerado uma entidade que fornece serviços de distribuição de lucros, o OCC presumirá que essas atividades violam a proibição.

Embora a redação dessa cláusula tenha gerado divergências, ela também deixa espaço para defesa por parte das empresas envolvidas — elas podem apresentar evidências de que seus contratos não se enquadram na presunção de violação.

Ambiguidade nas relações com terceiros

Outro problema na definição de “parceiro” surge na interpretação do quadro regulatório. Segundo a proposta, uma entidade pode ser tanto emissora quanto parceira, mas a definição de propriedade e controle não é clara. Em particular, a proposta introduz uma definição baseada na participação acionária: se a emissora detiver 25% ou mais de ações de um terceiro, esse terceiro será considerado uma entidade relacionada, e, portanto, não poderá fornecer serviços de distribuição de lucros de forma isolada.

Esse limite de propriedade pode levar algumas empresas a reestruturarem suas organizações para evitar restrições relacionadas a entidades relacionadas. Além disso, a proposta deixa espaço para interpretações sobre as regras de operação em modo “white label” (marca branca), cuja aplicação dependerá dos termos contratuais específicos entre a emissora e o provedor de serviços.

O arranjo entre PayPal e Paxos para o PYUSD é um exemplo típico de estruturas complexas que podem precisar de ajustes à luz do novo quadro regulatório. Plataformas principais de criptomoedas, como Coinbase e Circle, também podem enfrentar pressões semelhantes para ajustar seus acordos.

Impacto nas principais empresas de criptomoedas

Se a redação atual da proposta for aplicada, empresas como Coinbase, Circle, PayPal e Paxos podem precisar reavaliar seus planos de distribuição de lucros. Matthew Sigal, chefe de pesquisa de ativos digitais da VanEck, comentou publicamente que essas plataformas podem ser forçadas a transformar seus planos de lucros em algo semelhante a programas de fidelidade, ao invés de pagamentos de juros diretos.

Isso implica que as empresas precisarão não apenas modificar seus produtos, mas também ajustar seus quadros legais com parceiros. Para plataformas de negociação que dependem de lucros para atrair usuários, essas mudanças podem afetar sua competitividade e experiência do usuário.

Interação entre o quadro regulatório e o projeto de lei de estrutura de mercado

A questão dos lucros também é um dos principais obstáculos para a aprovação do projeto de lei de estrutura de mercado (Market Structure Bill) no Congresso dos EUA. Essa legislação, há muito aguardada pelo setor de criptomoedas, visa aprimorar a regulação do mercado por meio de várias dimensões, incluindo estrutura de negociação, regras anti-lavagem de dinheiro e verificação de clientes.

Especialistas apontam que a proposta do OCC pode alterar a postura do Congresso em relação à questão dos lucros — alguns argumentam que, por causa disso, o Congresso pode dispensar a inclusão de regras específicas sobre lucros na lei de estrutura de mercado. No entanto, outros analistas acreditam que, dada a importância do tema, é improvável que o Congresso ignore completamente essa questão na legislação.

Além dos lucros, o projeto de lei de estrutura de mercado ainda enfrenta divergências em relação a cláusulas morais (que envolvem atividades de criptomoedas do ex-presidente Donald Trump e sua família) e regras de combate ao crime financeiro, o que tem atrasado sua tramitação.

Incertezas na implementação regulatória

A proposta do OCC está atualmente em fase de consulta pública, e a elaboração final das regras ainda requer ajustes e melhorias. O setor está atento ao fato de que, se o projeto de lei de estrutura de mercado for aprovado antes da finalização das regras pelo OCC, este último poderá ser obrigado a emitir recomendações de revisão ou reiniciar o processo de elaboração de regras para alinhá-las à nova legislação.

Essa interação entre diferentes níveis de legislação adiciona incertezas à implementação final do quadro regulatório. O progresso do projeto de lei, a versão final das regras do OCC e a coordenação entre ambos determinarão o futuro da regulação de stablecoins nos EUA.

Atualmente, circulam versões do texto do projeto de lei entre os legisladores, mas ainda não há consenso entre o setor financeiro e o setor de criptomoedas. Cada mudança nesse quadro pode ter impacto significativo para os participantes do mercado.

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