Produção Mundial de Cobre 2024: Quais são os Países com Maior Produção de Cobre?

A cadeia de abastecimento mundial de cobre enfrentou pressões crescentes ao longo de 2024, à medida que a procura por iniciativas de eletrificação e transição energética continuou a subir. Entretanto, minas envelhecidas nos países de maior produção de cobre lutaram para manter a produção sem que novas capacidades entrassem em operação. Essa dinâmica criou desafios e oportunidades no mercado global de cobre, culminando na quebra do preço do cobre pela primeira vez em maio de 2024, acima de 5 dólares por libra. Embora a procura por transição energética ofereça impulso a longo prazo, a desaceleração económica da China moderou o consumo de curto prazo, criando um cenário complexo para investidores que acompanham a dinâmica de oferta de cobre.

De acordo com os últimos dados do US Geological Survey, a produção global de cobre atingiu 23 milhões de toneladas métricas em 2024. No entanto, compreender quais países dominam a mineração de cobre exige olhar além dos números principais. O país de maior produção continua a beneficiar de reservas, infraestrutura e expertise operacional substanciais—vantagens que podem não mudar significativamente num futuro próximo, apesar do aumento da concorrência.

Compreendendo o panorama global do cobre

Os principais países produtores de cobre controlam coletivamente a espinha dorsal do fornecimento mundial do metal. Entre produção, reservas e capacidade de refino, esses países moldam tudo, desde infraestruturas de rede até produção de baterias para veículos elétricos. Notável é que várias grandes mineradoras começaram a direcionar foco para exploração e expansão em produtores emergentes, sinalizando expectativas de déficits de oferta nos próximos cinco a dez anos.

Dados de produção de mineração do US Geological Survey e Mining Data Online revelam uma estrutura escalonada: poucos países representam cerca de 70% da extração global de cobre, enquanto o restante está disperso entre produtores secundários. Essa concentração cria vulnerabilidade na cadeia de abastecimento—perturbações nos principais produtores podem repercutir nos mercados globais em semanas.

Os gigantes: compreendendo as regiões de maior produção de cobre

1. Chile: Líder indiscutível

O Chile mantém-se como o maior país produtor de cobre do mundo, extraindo 5,3 milhões de toneladas métricas em 2024, representando cerca de 23% da produção mundial. A dominância do país deve-se à Escondida, a maior mina de cobre ativa do mundo, na qual BHP detém 57,5%, Rio Tinto 30% e Jeco o restante. A participação da BHP gerou 1,13 milhão de toneladas de cobre em 2024.

Além da Escondida, o Chile possui operações de gigantes como Codelco (estatal), Anglo American, Glencore e Antofagasta. Espera-se que a produção chilena recupere níveis recorde em 2025, potencialmente ultrapassando 6 milhões de toneladas, à medida que novos projetos mineiros aumentam a produção. Este aumento projeta o Chile como referência para outros países de maior produção de cobre.

2. República Democrática do Congo: O gigante emergente

A RDC subiu para a segunda posição com 3,3 milhões de toneladas em 2024, representando mais de 11% da produção global. Este salto foi impulsionado principalmente pelo aumento de Ivanhoe Mines e Zijin Mining Group no projeto Kamoa-Kakula, que entrou em produção comercial em agosto de 2024, entregando 437.061 toneladas de cobre nesse ano.

A ascensão da RDC como grande produtora reflete expansão mineira africana e estratégias de investimento chinesas. A Ivanhoe projeta mais ganhos em 2025, com previsão de entre 520.000 e 580.000 toneladas só de Kamoa-Kakula—mostrando por que o país entrou na disputa com produtores estabelecidos.

3. Peru: Estabilidade em meio a desafios

O Peru manteve-se na terceira posição em 2024 com 2,6 milhões de toneladas, uma queda de 160.000 toneladas em relação a 2023. Essa redução deve-se principalmente à mina Cerro Verde, da Freeport McMoRan, que teve uma queda de 3,7% na produção devido a menores volumes de estocagem de minério lixiviado e manutenção nas operações de moagem. Apesar de ser um dos principais países produtores, a produção peruana permanece vulnerável a interrupções operacionais.

Cerro Verde produziu 1,94 milhão de toneladas de concentrado de cobre em 2023, sendo a maior operação do país. As minas Quellaveco, da Anglo American, e Tia Maria, da Southern Copper, também contribuem para a posição do Peru. A maior parte do cobre peruano é exportada para China, Japão, Coreia do Sul e Alemanha, evidenciando a dependência de exportações do setor.

4. China: Potência de refino

Embora a China tenha produzido 1,8 milhão de toneladas de cobre em 2024 (ligeiramente abaixo das 1,82 milhão de toneladas de 2023), sua verdadeira força está no processamento de cobre refinado. As refinarias chinesas processaram 12 milhões de toneladas de cobre refinado em 2024—mais de 44% da produção global e seis vezes a capacidade de refino do Chile, segundo maior produtor.

Além disso, a China detém as maiores reservas mundiais de cobre, com 190 milhões de toneladas. Zijin Mining Group opera o complexo de cobre-molibdênio-prata-ouro de Qulong, no Tibete, maior mina de cobre do país. A empresa adquiriu 50,1% do interesse na Qulong em 2024 e está consolidando a propriedade total. Em 2023, Qulong produziu 340 milhões de libras de cobre, estimando-se que em 2024 produza cerca de 366 milhões de libras, refletindo a estratégia chinesa de integrar verticalmente mineração e refino.

5. Indonésia: Ascensão rápida

A Indonésia produziu 1,1 milhão de toneladas de cobre em 2024, ultrapassando Rússia e EUA, e conquistando a quinta posição entre os maiores produtores. A produção cresceu de forma constante, de 907.000 toneladas em 2023 e 731.000 em 2021, refletindo expansão operacional e melhorias no processamento.

O complexo Grasberg, da Freeport McMoRan, continua sendo o principal ativo do país, gerando 1,66 bilhão de libras de cobre em 2023. A mina Batu Hijau, da PT Amman Mineral, contribuiu com 542 milhões de libras de concentrado de cobre em 2023, com previsão de aumento para 1,84 bilhão de libras em 2024, com a entrada de minério de maior teor de fase 7. Além disso, a Amman Minerals inaugurou uma fundição dedicada em meados de 2024, capaz de processar 900.000 toneladas de concentrado por ano, produzindo 222.000 toneladas de cobre cathode.

6. Estados Unidos: Base doméstica

Os EUA produziram 1,1 milhão de toneladas em 2024, uma leve queda de 30.000 toneladas em relação a 2023, e abaixo das 1,23 milhão de toneladas de 2022. A maior parte vem do Arizona, que responde por 70% da produção doméstica, com contribuições secundárias de Michigan, Missouri, Montana, Nevada e Novo México. São 17 operações principais que geram 99% do cobre do país.

A mina Morenci, da Freeport McMoRan, no Arizona, é a maior dos EUA, produzindo 700 milhões de libras de cobre em 2024, com reservas comprovadas e prováveis de 12,63 milhões de toneladas. As minas Safford e Sierrita contribuíram com 249 milhões e 165 milhões de toneladas, respectivamente, consolidando a liderança da empresa no mercado interno.

7. Rússia: Aumento na Sibéria

A Rússia produziu 930.000 toneladas em 2024, acima das 890.000 toneladas de 2023. O aumento deve-se principalmente à expansão na mina Udokan, na Sibéria, da Udokan Copper. Apesar de incêndios no final de 2023, a operação deve produzir cerca de 135.000 toneladas em 2024. Com a expansão da fase 2 prevista para 2028, a produção deve atingir 450.000 toneladas, aumentando significativamente a participação russa na oferta global.

8. Austrália: Reservas sólidas

A Austrália produziu 800.000 toneladas em 2024, ligeiramente acima das 778.000 de 2023. A mina Olympic Dam, na Austrália do Sul, entregou 216.000 toneladas—máximo de uma década. O complexo Mount Isa, operado por uma subsidiária da Glencore, foi um dos maiores contribuintes, embora as operações estejam previstas para encerrar na segunda metade de 2025.

A produção atual coloca a Austrália entre os maiores países produtores de cobre, mas seu maior ativo são as reservas: 100 milhões de toneladas de cobre comprovado, empatando com o Peru e ficando atrás da China, com 190 milhões de toneladas.

9. Cazaquistão: O novo concorrente

O Cazaquistão produziu 740.000 toneladas em 2024, igualando 2023, mas já entrando no top 10 mundial, ultrapassando México e Zâmbia. A produção cresceu de 510.000 toneladas em 2021, refletindo investimentos e melhorias operacionais. O governo lançou um Plano Nacional de Desenvolvimento em fevereiro de 2024, visando aumento de 40% na produção mineral até 2029, com exploração ampliada, financiamento de projetos e incentivos fiscais.

A KAZ Minerals, empresa privada, opera a mina Aktogay, que contribuiu com 228.800 toneladas em 2024, ligeiramente abaixo das 252.400 de 2023. Apesar da queda pontual, a trajetória do país o posiciona como um dos principais produtores de cobre a ser observado na próxima década.

10. México: Mantendo a posição

O México fechou o top 10 com 700.000 toneladas em 2024, praticamente igual às 699.000 de 2023. A Grupo Mexico opera a mina Buenavista del Cobre, em Sonora, maior do país, que produziu 725 milhões de libras de concentrado e 193 milhões de libras de cobre cathode em 2023. A mesma empresa possui a La Caridad, segunda maior operação, com 387.000 toneladas de concentrado e 51 milhões de libras de cathode em 2023.

Perspectivas para os principais países produtores de cobre

O cenário competitivo entre os maiores produtores de cobre continuará a evoluir à medida que a demanda global aumenta. Déficits de oferta são previstos para os próximos cinco a dez anos, criando oportunidades tanto para produtores estabelecidos quanto para novos concorrentes. O Chile provavelmente manterá sua liderança, enquanto a RDC e a Indonésia representam os vetores de crescimento mais dinâmicos. Para investidores que analisam exposição ao cobre, acompanhar as tendências de produção nessas regiões é essencial para entender a dinâmica de oferta de longo prazo do metal.

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