Yen japonês em forte queda: contradições políticas por trás
Na semana passada, o mercado cambial foi marcado por volatilidade, com o USD/JPY a subir 1,28%, aproximando-se do nível de 158, o que gerou grande atenção para possíveis intervenções do governo japonês. A forte desvalorização do iene não foi apenas um fator de mercado, mas resultou de um conflito interno entre as políticas do Banco do Japão e do governo.
O Banco do Japão aumentou a taxa de juros em 25 pontos base conforme o esperado, parecendo uma política de aperto monetário, mas as declarações dovish do governador Ueda Kazuo apagaram as expectativas de novos aumentos. Para piorar, o gabinete de Sanae Hōkō aprovou um enorme pacote de estímulo fiscal de 18,3 trilhões de ienes, que neutralizou o efeito do aumento de juros, abalando a confiança nas perspectivas da política monetária do Japão.
Dólar em alta, moedas não-americanas com desempenho divergente
Na semana de 15 a 19 de dezembro, o índice do dólar subiu 0,33%, mantendo uma postura relativamente forte, enquanto as moedas não-americanas apresentaram divergências. O euro caiu 0,23%, o dólar australiano caiu 0,65%, e a libra esterlina subiu levemente 0,03%, sendo que a queda de 1,28% do iene foi especialmente notável.
Este cenário reflete uma reavaliação global das expectativas de política do Federal Reserve. Apesar dos dados de IPC de novembro terem ficado abaixo do esperado, e o emprego não agrícola apresentando resultados mistos, bancos de investimento como Morgan Stanley e Barclays apontam que os dados foram fortemente distorcidos por fatores técnicos e vieses estatísticos, dificultando uma leitura precisa da tendência econômica. Com isso, as expectativas de cortes de juros pelo Fed em 2026 permanecem moderadas, com previsão de duas reduções ao longo do ano, sendo a de abril com uma probabilidade de 66,5%.
Divergências entre as principais instituições sobre o futuro do iene
Quanto à trajetória futura do iene, há divergências significativas entre as instituições. O Sumitomo Mitsui Bank é pessimista, prevendo que o câmbio do iene possa atingir 162 no primeiro trimestre de 2026, devido à expectativa de que o próximo aumento de juros do Banco do Japão só ocorra em outubro de 2026, tornando a perspectiva de aumento distante.
Por outro lado, o JPMorgan emite um alerta: se o iene depreciar-se acima de 160 em um curto período, isso será considerado uma mudança abrupta na taxa de câmbio, aumentando a probabilidade de intervenção do governo japonês. Isso indica que próximo de 158 já se tornou uma zona sensível para intervenção governamental.
A Nomura Securities adota uma posição intermediária, acreditando que, com o Fed cortando juros, o dólar continuará a enfraquecer, dificultando uma depreciação significativa do iene. Sua previsão é que o iene se valorize para 155 no primeiro trimestre de 2026, contrastando com a previsão pessimista de 162 do Sumitomo Mitsui Bank.
Perspectiva do euro: redução na diferença de juros favorece o cenário
Por outro lado, o EUR/USD subiu e depois caiu na semana passada, encerrando com uma queda de 0,23%. O Banco Central Europeu manteve as taxas de juros inalteradas conforme o esperado, mas as declarações de Lagarde não atenderam às expectativas hawkish do mercado.
As instituições estão otimistas quanto ao desempenho futuro do euro. O Danske Bank aponta que, com o Fed cortando juros e o BCE mantendo-os, a diferença de juros reais ajustada pela inflação entre EUA e zona do euro pode diminuir, favorecendo a valorização do euro. Além disso, a recuperação do mercado de ativos europeus, o aumento na demanda por proteção contra o dólar e a queda na confiança nas instituições americanas também sustentam o euro.
Análise técnica e oportunidades de curto prazo
Desempenho técnico do forte declínio do iene:
O USD/JPY quebrou a média móvel de 21 dias, com o MACD indicando sinal de compra, formando um padrão de alta. Se conseguir romper efetivamente a resistência de 158, abrirá espaço para uma alta maior. Por outro lado, se o câmbio continuar sob pressão abaixo de 158, a probabilidade de correção aumentará, com suporte em 154.
Oportunidades técnicas no EUR/USD:
O EUR/USD permanece acima de várias médias móveis, mantendo potencial para alta no curto prazo, com a resistência principal na faixa de 1,18. Em caso de correção, a média móvel de 100 dias em torno de 1,165 será um suporte importante.
Pontos de atenção nesta semana
Para o movimento do iene, é fundamental acompanhar os discursos do governador do Banco do Japão, Ueda Kazuo, e as possíveis intervenções verbais das autoridades japonesas. Se Ueda adotar uma postura hawkish ou se as intervenções verbais aumentarem, o USD/JPY poderá enfrentar pressão de baixa.
No que diz respeito ao euro, os dados do PIB do terceiro trimestre dos EUA e a situação geopolítica serão fatores decisivos. Dados de crescimento acima do esperado favorecerão o dólar e prejudicarão o EUR/USD; o contrário beneficiará o euro.
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A desvalorização do iene japonês atinge a barreira de 158! Políticas do banco central e estímulos fiscais intensificam a volatilidade cambial
Yen japonês em forte queda: contradições políticas por trás
Na semana passada, o mercado cambial foi marcado por volatilidade, com o USD/JPY a subir 1,28%, aproximando-se do nível de 158, o que gerou grande atenção para possíveis intervenções do governo japonês. A forte desvalorização do iene não foi apenas um fator de mercado, mas resultou de um conflito interno entre as políticas do Banco do Japão e do governo.
O Banco do Japão aumentou a taxa de juros em 25 pontos base conforme o esperado, parecendo uma política de aperto monetário, mas as declarações dovish do governador Ueda Kazuo apagaram as expectativas de novos aumentos. Para piorar, o gabinete de Sanae Hōkō aprovou um enorme pacote de estímulo fiscal de 18,3 trilhões de ienes, que neutralizou o efeito do aumento de juros, abalando a confiança nas perspectivas da política monetária do Japão.
Dólar em alta, moedas não-americanas com desempenho divergente
Na semana de 15 a 19 de dezembro, o índice do dólar subiu 0,33%, mantendo uma postura relativamente forte, enquanto as moedas não-americanas apresentaram divergências. O euro caiu 0,23%, o dólar australiano caiu 0,65%, e a libra esterlina subiu levemente 0,03%, sendo que a queda de 1,28% do iene foi especialmente notável.
Este cenário reflete uma reavaliação global das expectativas de política do Federal Reserve. Apesar dos dados de IPC de novembro terem ficado abaixo do esperado, e o emprego não agrícola apresentando resultados mistos, bancos de investimento como Morgan Stanley e Barclays apontam que os dados foram fortemente distorcidos por fatores técnicos e vieses estatísticos, dificultando uma leitura precisa da tendência econômica. Com isso, as expectativas de cortes de juros pelo Fed em 2026 permanecem moderadas, com previsão de duas reduções ao longo do ano, sendo a de abril com uma probabilidade de 66,5%.
Divergências entre as principais instituições sobre o futuro do iene
Quanto à trajetória futura do iene, há divergências significativas entre as instituições. O Sumitomo Mitsui Bank é pessimista, prevendo que o câmbio do iene possa atingir 162 no primeiro trimestre de 2026, devido à expectativa de que o próximo aumento de juros do Banco do Japão só ocorra em outubro de 2026, tornando a perspectiva de aumento distante.
Por outro lado, o JPMorgan emite um alerta: se o iene depreciar-se acima de 160 em um curto período, isso será considerado uma mudança abrupta na taxa de câmbio, aumentando a probabilidade de intervenção do governo japonês. Isso indica que próximo de 158 já se tornou uma zona sensível para intervenção governamental.
A Nomura Securities adota uma posição intermediária, acreditando que, com o Fed cortando juros, o dólar continuará a enfraquecer, dificultando uma depreciação significativa do iene. Sua previsão é que o iene se valorize para 155 no primeiro trimestre de 2026, contrastando com a previsão pessimista de 162 do Sumitomo Mitsui Bank.
Perspectiva do euro: redução na diferença de juros favorece o cenário
Por outro lado, o EUR/USD subiu e depois caiu na semana passada, encerrando com uma queda de 0,23%. O Banco Central Europeu manteve as taxas de juros inalteradas conforme o esperado, mas as declarações de Lagarde não atenderam às expectativas hawkish do mercado.
As instituições estão otimistas quanto ao desempenho futuro do euro. O Danske Bank aponta que, com o Fed cortando juros e o BCE mantendo-os, a diferença de juros reais ajustada pela inflação entre EUA e zona do euro pode diminuir, favorecendo a valorização do euro. Além disso, a recuperação do mercado de ativos europeus, o aumento na demanda por proteção contra o dólar e a queda na confiança nas instituições americanas também sustentam o euro.
Análise técnica e oportunidades de curto prazo
Desempenho técnico do forte declínio do iene:
O USD/JPY quebrou a média móvel de 21 dias, com o MACD indicando sinal de compra, formando um padrão de alta. Se conseguir romper efetivamente a resistência de 158, abrirá espaço para uma alta maior. Por outro lado, se o câmbio continuar sob pressão abaixo de 158, a probabilidade de correção aumentará, com suporte em 154.
Oportunidades técnicas no EUR/USD:
O EUR/USD permanece acima de várias médias móveis, mantendo potencial para alta no curto prazo, com a resistência principal na faixa de 1,18. Em caso de correção, a média móvel de 100 dias em torno de 1,165 será um suporte importante.
Pontos de atenção nesta semana
Para o movimento do iene, é fundamental acompanhar os discursos do governador do Banco do Japão, Ueda Kazuo, e as possíveis intervenções verbais das autoridades japonesas. Se Ueda adotar uma postura hawkish ou se as intervenções verbais aumentarem, o USD/JPY poderá enfrentar pressão de baixa.
No que diz respeito ao euro, os dados do PIB do terceiro trimestre dos EUA e a situação geopolítica serão fatores decisivos. Dados de crescimento acima do esperado favorecerão o dólar e prejudicarão o EUR/USD; o contrário beneficiará o euro.